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A crise brasileira e a geopolítica mundial Leonardo Boff <posted by macaense>


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#1 macaense

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Posted 21 April 2016 - 11:23 AM

A crise brasileira e a geopolítica mundial

 

 

Seria errôneo pensar a crise do Brasil apenas a partir do Brasil. 

Este está inserido no equilíbrio de forças mundiais do âmbito na assim chamada nova guerra fria que envolve principalmente os EUA e a China.

 A espionagem norte-americana, como revelou Snowden, atingiu a Petrobras e as reservas do pré-sal e não poupou até a presidenta Dilma. 

Isto é parte da estratégia do Pentágono de cobrir todos os espaços sob o lema: "um só mundo e um só império".

 Eis alguns pontos que nos fazem refletir.

No contexto global há um ascensão visível da direita no mundo inteiro, a partir dos próprios EUA e da Europa.

 Na América Latina está se fechando um ciclo de governos progressistas que elevaram o nível social dos mais pobres e firmaram a democracia. 

Agora estão sendo assolados por uma onda direitista que já triunfou na Argentina e está pressionando todos os países sul-americanos. 

Falam, como entre nós, de democracia mas, na verdade, querem torná-la insignificante para dar lugar ao mercado e à internacionalização da economia.

"Seria errôneo pensar a crise do Brasil apenas a partir do Brasil. Este está inserido no equilíbrio de forças mundiais do âmbito na assim chamada nova guerra fria que envolve principalmente os EUA e a China"

O Brasil é o principal atingido e o impedimento da presidenta Dilma é apenas um capítulo de uma estratégia global, especialmente das grandes corporações e pelo sistema financeiro articulado com os governos centrais. 

Os grandes empresários nacionais querem voltar ao nível de ganho que tinham sob as políticas neoliberais, anteriores a Lula. 

A oposição à Dilma e o apoio ao seu impedimento possui um viés patronal. 

A Fiesp com o Skaf, a Firjan, as Federações do Comércio de São Paulo, a Associação Brasileira da Indústria Eletrônica e Eletrodomésticos (Abinee), entidades empresariais do Paraná, Espírito Santo, Pará e muitas redes empresariais estão já em campanha aberta pelo impedimento e pelo fim do tipo de democracia social implantada por Lula-Dilma.

A estratégia ensaiada contra a “primavera árabe” e aplicada no Oriente Médio e agora no Brasil e na América Latina em geral consiste em desestabilizar os governos progressistas e alinhá-los às estratégias globais como sócios agregados.

 É sintomático que em março de 2014 Emy Shayo, analista do JB Morgan, coordenou uma mesa redonda com publicitários brasileiros ligados à macroeconomia neoliberal com o tema: "como desestabilizar o governo Dilma". 

Armínio Fraga, provável ministro da Fazenda num eventual governo pós-Dilma, vem do JB Morgan (cf.blog de Juarez Guimarães,”Porque os patrões querem o golpe”).

Noam Chomski, Moniz Bandeira e outros advertiram que os EUA não toleram uma potência como o Brasil no Atlântico Sul que tenha um projeto de autonomia, vinculado aos BRICS. 

Causa grande preocupação à política externa norte-americana a presença crescente da China, seu principal contendor, pelos vários países da América Latina, especialmente no Brasil.

 Fazer frente a outro anti-poder que significam os BRICS implica atacar e enfraquecer o Brasil, um de seus membros com uma riqueza ecológica sem igual.

Talvez o nosso melhor analista da política internacional, Luiz Alberto Moniz Bandeira, autor de “A segunda Guerra Fria – geopolítica e dimensão estratégica dos Estados Unidos” (Civilização Brasileira 2013) e o deste ano “A desordem internacional” (da mesma editor) nos ajude a entender os fatos. 

Ele trouxe detalhes de como agem os EUA:

 ”Não é só a CIA…  specialmente as ONGs financiadas pelo dinheiro oficial e semi-oficial como a USAID, a National Endwoment for Democracy, atuam comprando jornalistas e treinando ativistas”. 

O “The Pentagon´s New Map for War & Peace” enuncia as formas de desestabilização econômica e social através dos meios de comunicação, jornais, redes sociais, empresários e infiltração de ativistas. 

Moniz Bandeira chega a afirmar:

 “não tenho dúvida de que no Brasil os jornais estão sendo subsidiados… e que jornalistas estão na lista de pagamento dos órgãos citados acima e muitos policiais e comissários recebem dinheiro da CIA diretamente em suas contas”(cf. Jornal GGN de Luis Nassif de 09/03/2016). 

Podemos até imaginar quais seriam esses jornais e os nomes de alguns jornalistas, totalmente alinhados à ideologia desestabilizadora de seus patrões.

Especialmente o pré-sal, a segunda maior jazida de gás e de petróleo do mundo, está na mira dos interesses globais. 

O sociólogo Adalberto Cardoso, da Uerj, numa entrevista à Folha de S. Paulo (26/04/2015), foi explícito:

 “Seria ingenuidade imaginar que não há interesses internacionais e geopolíticos de norte-americanos, russos, venezuelanos, árabes. Só haveria mudança na Petrobras se houvesse nova eleição e o PSDB ganhasse de novo. Nesse caso, se acabaria o monopólio de exploração, as regras mudariam. O impeachment interessa às forças que querem mudanças na Petrobras: grandes companhias de petróleo, agentes internacionais que têm a ganhar com a saída da Petrobras da exploração de petróleo. Parte desses agentes quer tirar Dilma."

Não estamos diante de um pensamento conspiratório, pois já sabemos como agiram os norte-americanos no golpe militar em 1964, infiltrados nos movimentos sociais e políticos. 

Não é sem razão que a quarta frota norte-americana do Atlântico Sul está perto de nossas águas.

 Devemos nos conscientizar de nossa importância no cenário mundial, resistir e buscar o fortalecimento de nossa democracia que represente menos os interesses das empresas  e mais as demandas tão olvidadas de nosso povo e na construção de nosso próprio caminho rumo ao futuro. 

* Leonardo Boff é articulista do JB online e escritor.


Edited by macaense, 21 April 2016 - 11:23 AM.

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#2 macaense

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Posted 21 April 2016 - 11:27 AM

EXCERPT: 

Seria errôneo pensar a crise do Brasil apenas a partir do Brasil. 

Este está inserido no equilíbrio de forças mundiais do âmbito na assim chamada nova guerra fria que envolve principalmente os EUA e a China.

 A espionagem norte-americana, como revelou Snowden, atingiu a Petrobras e as reservas do pré-sal e não poupou até a presidenta Dilma. 

Isto é parte da estratégia do Pentágono de cobrir todos os espaços sob o lema: "um só mundo e um só império".


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