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Ex-agente Raśl Capote: Los planes de la CIA avanzaron mucho en Venezuela


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Posted 07 April 2014 - 12:16 AM

Ex-agente Raúl Capote: Los planes de la CIA avanzaron mucho en Venezuela

 

http://www.aporrea.o...ad/n247624.html

 

http://www.resistir...._23mar14_p.html

 

 

Revelações de um ex-agente da CIA Os planos da CIA na Venezuela e no mundo

por Raúl Capote

raul_capote.jpg Raúl Capote é cubano. Mas não um cubano qualquer. Na sua juventude foi cooptado pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos. Ofereceram-lhe uma quantidade sem limite de dinheiro para conspirar contra Cuba. Mas surgiu algo inesperado para os EUA. Capote, na realidade trabalhava para a segurança nacional cubana. Desde então, actuou como um agente duplo. Conheça a sua história através de uma entrevista exclusiva com Chávez Vive, que concedeu em Havana.

"EU ERA O LÍDER DE UM MOVIMENTO ESTUDANTIL E A CIA CAPTOU-ME"

Como foi o seu processo de recrutamento ?
Foi um processo de muitos anos, de vários de anos de preparação e de cooptação. Eu era o líder de um movimento de juventude em Cuba que, na época, deu origem a uma organização, a Associação Cultural de Hermanos Saiz, uma associação de jovens criadores, jovens pintores, escritores, artistas. Eu trabalhava numa cidade do sul de Cuba, centro-sul de Cuba, Cienfuegos, cujas características, para o inimigo, eram muito interessantes, porque era uma cidade onde na época se estava construindo um grande centro industrial. Estava-se construindo uma central eléctrica, a única que se ia instalar em Cuba e havia muitos jovens a trabalhar na obra. Uma cidade com muitos jovens engenheiros formados na União Soviética. Estamos falando do final dos anos oitenta, quando houve todo aquele processo da perestroika. Muitos engenheiros cubanos, que chegaram a Cuba naquela época, graduados lá, eram pessoas que vinham com a ideia de perestroika. Portanto, era um território interessante, onde havia muita gente jovem. E o facto de eu ser um jovem líder de uma organização cultural, que movimentava um sector importante dos engenheiros que estavam interessados nas artes, foi interessante para os americanos que começaram a frequentar as reuniões a que nós assistíamos. Nunca se identificando como inimigos, nem como agentes da CIA.

Eram vários ou sempre a mesma pessoa?
Vários. Nunca se apresentavam como agentes da CIA nem como pessoas que viessem para prejudicar.

- E quem vocês supunham que fossem?
Apresentavam-se como pessoas que vinham nos ajudar no nosso projecto, e que tinham a possibilidade de financiá-lo. Que tinham a capacidade de o tornar realidade. A proposta, como tal, parecia interessante porque, bem, um projecto no mundo da literatura exige que se conheça um editor, que se tenham relações editoriais. É um mercado muito complexo. E vinham em nome de editoras. O que acontecia é que durante o processo de contacto connosco, parecia bastante claro o que eles realmente queriam. Porque, uma vez que faziam o contacto, uma vez que começavam a frequentar as nossas reuniões, que começavam a prometer os financiamentos, vinham, em seguida, as condições para sermos financiados.

A CIA TEM UM ORÇAMENTO INFINITO

Que condições exigiam?
Diziam-nos: temos a capacidade de colocar o mercado à vossa disposição, de levá-los ao mercado do livro, ou do filme, ou das artes plásticas ou qualquer outra coisa, mas queremos a verdade, porque o que se vende no mercado é a imagem de Cuba. A imagem de Cuba tem que ser uma visão realista, das dificuldades, do que acontece no país. Queriam viciar a realidade de Cuba. O que estavam pedindo é que fizéssemos uma critica da revolução, com base nas linhas de propaganda contra Cuba, que eles manejavam.

A quanto pode ascender o orçamento dessa gente?
Eles vinham com uma quantidade infinita de dinheiro, porque a origem do dinheiro, é claro, com o tempo conseguimos saber de onde vinha. Por exemplo, havia a USAID, que era o maior patrocinador, a maior contratadora de todo o orçamento, que era canalizado através de ONGs, que muitas vezes eram inventadas para Cuba. Eram ONGs que não existiam, que foram criadas exclusivamente para esse tipo de trabalho em Cuba e estamos a falar de milhares e milhares de dólares. Eles não trabalhavam com orçamentos pequeninos. Para dar um exemplo, num dado momento, a mim ofereceram-me dez mil dólares, apenas para incluir elementos de propaganda contra Cuba no romance em que eu estava trabalhando.

De que ano estamos falando?
Estamos em 1988, 89.

Quantas pessoas poderiam ter sido contactadas por essa gente ou cooptadas?
Realmente não tiveram muito sucesso, porque em Cuba havia uma cultura de confronto para tais coisas e as pessoas tinham muito presente que poderia haver algo por trás dessa história de querer-nos ajudar. Não era novo na história do país e, por isso, era muito difícil chegarem a nós. Num dado momento, já em 92, tivemos uma reunião com todos os membros da organização e foi decidido expulsá-los. Não permitir mais a assistência a qualquer das nossas reuniões. Essa gente, que já estava chegando com propostas concretas e também condicionando a ajuda financeira que nos estavam dando. O que acontece é que, quando fizemos isso e os rejeitámos, os expulsámos da sede da associação, em seguida, começaram a particularizar. Começam a visitar-me, a mim em particular e a alguns camaradas jovens. Com alguns foram bem sucedidos, ou seja, alguns deles conseguiram, inclusive, levá-los para fora do país.

Que perfil procuravam eles, mais ou menos, se se pode especificar um perfil?
Eles queriam, especialmente naquela época, apresentar Cuba como um país que estava no caos. Que o socialismo em Cuba havia falhado em atender às necessidades da população e que Cuba era um país que o socialismo levara à pobreza absoluta e que, como modelo, não agradava. Foi a chave para o que se pretendia, especialmente naquela época.

NA VENEZUELA TRABALHOU UMA AGENTE EXPERIENTE EM DERRUBAR GOVERNOS

Quanto tempo esteve como agente da CIA?
Estivemos nessa história até ao início do ano de 94. Porque em 94 eu venho para Havana, volto para a capital e aqui, vou trabalhar no Sindicato dos Trabalhadores da Cultura, um sindicato que representa os trabalhadores da cultura na capital, o que me tornou ainda mais interessante para eles, porque deixava de ser um líder de uma organização de jovens com 4.000 membros, para passar a liderar uma organização sindical com 40.000 membros. Ou seja, uma união com 40.000 membros, apenas na cidade de Havana. Então isso tornou-se muito mais interessante. Eles continuaram os contactos. Naquele momento apareceu um novo professor universitário que veio com a missão de promover a produção de meu trabalho literário, para se tornar o meu agente, para organizar eventos.

Pode dar o nome ?
kelly_keiderling.jpg Não, porque usavam pseudónimos. Nunca nomes reais. E esse tipo de trabalho, de me promover como escritor, era no que eles estavam muito interessados, porque queriam tornar-me uma personalidade dentro desse mundo. Promovendo-me agora, e comprometendo-me com eles de maneira não directa. E então, em 2004, chega aqui a Havana uma pessoa que é bem conhecida na Venezuela, Kelly Keiderling . Kelly chega a Havana para trabalhar como Chefe do Gabinete de Imprensa e Cultura. Preparam uma reunião. Preparam um cocktail e neste cocktail eu tenho uma reunião com doze funcionários norte-americanos e europeus. Não eram só americanos. Todos pessoas que tinham experiência, alguns com experiência mesmo dentro da própria União Soviética, outros tinham participado em acções de formação e preparação de gente na Jugoslávia, nas Revoluções coloridas, e estavam ansiosos por me conhecer. Kelly torna-se uma pessoa muito próxima. Começa a preparar-me. Começa a instruir-me. Eu começo a receber dela uma formação muito sólida: a criação de grupos alternativos, a criação de grupos independentes, a organização e formação de jovens líderes, especialmente em projectos culturais, mas que foram sempre alternativos, que não participaram nos trabalhos das instituições culturais. Isso foi no ano de 2004-2005. Kelly sai praticamente de cena em 2005-2006. E começo a trabalhar, ela apresenta-me, coloca-me em contacto directo com funcionários da CIA. Supostamente, eu já estava comprometido com eles, estava pronto para a próxima missão, e colocam-me em contacto com Renee Greenwald, um responsável da CIA que começa a trabalhar comigo directamente, e com um senhor chamado Mark Waterhein que era, naquele tempo, o chefe do Projecto Cuba, da Fundação Pan-americana para o Desenvolvimento.

CENTENAS DE JOVENS VENEZUELANOS FORAM COOPTADOS PELA CIA

agencias.jpg Esse senhor Mark , além de dirigir o Projecto Cuba, tinha uma ligação directa com Cuba, na questão do financiamento de projectos contra a Revolução e também estava envolvido em tarefas contra a Venezuela. Quero dizer, ele era um homem que, como muitos de sua equipe, funcionários do famoso projecto, também trabalhou contra a Venezuela na época. Eles estavam intimamente ligados. Às vezes tinha dificuldade em diferenciar quem trabalhava com Cuba, e quem não, pois muitas vezes alternavam. Por exemplo, havia venezuelanos que vinham trabalhar comigo, que trabalhavam em Washington, que estavam subordinados à Fundação Pan-Americana e à CIA e vinham a Cuba para treinar-me e trazer suprimentos. Daí sai a ideia de criar uma fundação, um projecto, que se chamou Génesis.

Génesis é, talvez, a matriz, como ideia, de muitas das coisas que aconteceram no mundo de hoje, agora mesmo, porque Génesis é um projecto destinado a estudantes universitários cubanos. Estavam fazendo algo semelhante na Venezuela. Porque, o que acontece? A ideia era transformar as universidades – que sempre tinham sido revolucionárias, que tinham produzido revolucionários, de onde haviam saído muitos dos revolucionários de ambos os países – e convertê-las em fábricas de reaccionários. Então, como fazer isso? Formando líderes. O que começaram a fazer na Venezuela? Enviavam estudantes para a Jugoslávia, financiados pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) , que era financiado pela USAID e pelo Instituto Albert Einstein, enviados em grupos de dez, com o seu professor.

Conhece os nomes dos venezuelanos?
Não, estamos falando de centenas. Eu falava com o professor e via que um grupo se seguia a outro. Porque eles estavam trabalhando a longo prazo. O plano era o mesmo contra Cuba. Génesis promovia, dentro da universidade, um sistema de bolsas para a formação de líderes para alunos cubanos e professores cubanos. O plano era muito similar. Mesmo em 2003, eles prepararam, aqui em Havana, um curso na Secção de Interesses dos Estados Unidos, chamado "Derrubando um líder, derrubando um ditador", que se baseava na experiência da Otpor para afastar Milosevic do poder. E é a ideia, dentro da universidade cubana, de que estão trabalhando a longo prazo, porque todos esses projectos sempre têm um longo prazo, para ter resultados. Por isso, também começaram cedo na Venezuela. Eu acho, embora não tenha provas, mas acredito, que na Venezuela começou antes do governo Chávez, porque o plano de transformar as universidades latino-americanas, que sempre foram centros de processos revolucionários em universidades reaccionárias, é mais velho que o processo venezuelano para reverter a situação e criar uma nova direita.

A CIA TRABALHA EM TODA A VENEZUELA

A CIA só trabalha em Caracas?
Não, em toda a Venezuela. Naquela época, Génesis tinha em Cuba um plano de bolsas para formar líderes. Propunham aos estudantes uma bolsa de estudos numa universidade dos EUA, ou uma grande universidade europeia para os treinar como líderes, com tudo pago. Pagavam as despesas, pagavam bolsas completas. Estamos falando do ano de 2004-2005. Era muito evidente. Então, esses líderes voltariam para a universidade em algum momento. São estudantes. Vão acabar a sua carreira. Esses líderes, quando terminem as suas carreiras, vão ocupar diferentes cargos, diferentes possibilidades, como engenheiros, como graduados em diferentes sectores da sociedade cubana, mas outros vão ficar constantemente preparando líderes dentro da universidade. Uma das missões mais importantes dos líderes da universidade, era ocupar a liderança das principais organizações de jovens. No caso de Cuba, nós estamos falando da União de Jovens Comunistas e da Federação Estudantil Universitária, ou seja, não se tratava na época da criação de grupos paralelos, mas tornarem-se líderes de organizações que já existiam em Cuba. Simultaneamente, formar um grupo de líderes nas estratégias de golpe suave. Ou seja, treinar gente para quando o momento fosse oportuno, no momento certo, poder efectuar as famosas revoluções coloridas ou guerras não violentas que, como se sabe muito bem, de não violentas, não têm nada.

Que perfil procuram num professor, para ser cooptado?
Professores é muito fácil. Identificar na universidade professores que eram pessoas descontentes com a instituição, pessoas frustradas, por considerarem que a instituição não lhes garantia, ou não reconhecia o seu mérito. Se eram mais velhos, ainda melhor. Não especificavam. Escolhem pessoas mais velhas, para que as selecciones. Se lhe envias um plano de bolsas de estudo, ou ele recebe um convite para participar de um grande congresso internacional de determinada ciência ele vai ficar-te eternamente grato, porque foste o único que descobriu o seu talento, que nunca havia sido reconhecido pela universidade. Então, a esse homem que tu, que estás na sua universidade, levaste a estudar fora, a participar de um grande evento e lhe vão publicar a obra e lhe constroem um currículo, quando esse homem voltar para Cuba, regressa com um enorme currículo, porque ele participou de um evento científico de primeira classe, passou em cursos nas principais universidades e o seu currículo quase atingiu o tecto, portanto, a influência que poderia ter na universidade era maior, porque poderia ser reconhecido como uma figura no seu campo, embora na prática o homem fosse um ignorante.

REALMENTE EU NÃO ERA UM AGENTE DA CIA, ERA UM AGENTE DA SEGURANÇA CUBANA

E qual a eficiência e eficácia de tais cooptações, dessas missões que eles vinham promover aqui?
No caso de Cuba, não lhes deu muito resultado. Primeiro, porque havia uma razão importantíssima: quem estava liderando o projecto era eu e eu realmente não era um agente da CIA, era um agente da Segurança Cubana, portanto, todo o projecto passou pelas minhas mãos, e deveria ser o único a executá-lo e o plano passava sempre pelo trabalho que eu podia fazer e o que fizemos foi entorpecê-lo ao máximo ao termos conhecimento do que estava sendo planeado. Mas note-se que eles estavam calculando o fim do seu plano para o momento em que desaparecessem as figuras históricas da Revolução. Eles estavam calculando um período de cinco ou dez anos, para Fidel desaparecer da cena política e desaparecerem de cena Raul e as figuras históricas do país. Era esse o momento que estavam à espera e quando acontecesse eu devia sair da universidade, com todo o apoio da imprensa internacional e com o total apoio de ONGs, USAID e todas essa gente que trabalhava em torno do dinheiro norte-americano da CIA, e emergiria uma organização para se apresentar ao público como uma alternativa ao que estava fazendo a Revolução. Isso é o que estava acontecendo com a Fundação para a Liberdade Génesis.

Que Fundação é essa?
A Fundación Génesis para la Libertad devia ter um discurso aparentemente revolucionário, porque a ideia era confundir as pessoas. A ideia era dizer que eram revolucionários, que queriam fazer mudanças no governo, mas quando se ia para a prática, quando se ia para a essência do projecto, quando se perguntava, o que é o projecto? O discurso e o projecto eram exactamente os mesmos que os da direita tradicional, porque as mudanças que promoviam eram as mudanças que a direita, até há algum tempo, estava promovendo no país. Na prática, quase se lhes dá uma grande oportunidade, no critério deles, em 2006, quando saiu a notícia na televisão de que Fidel, por causa da doença, deixava as responsabilidades que tinha no governo e eles sempre tinham dito que a Revolução Cubana caia no dia em que Fidel morresse. Porque a Revolução era Fidel e no dia em que Fidel não estivesse cá, se morresse ou deixasse o Governo, no dia seguinte, a Revolução caía, e calcularam que haveria confrontos internos, que ia haver descontentamento com isto e com aquilo. Cálculos, que não sei de onde raio os tiraram, mas em que acreditavam. E nesse momento eles acreditavam que era hora de começar a agir.

CIA: O MELHOR QUE PODE ACONTECER É QUE MATEM UM OPOSITOR

Estamos falando de 2006. E qual era o plano?
Chamam-me automaticamente. Reunimo-nos, o chefe da estação da CIA, aqui em Havana, também apareceram funcionários diplomáticos e um disse-me: "Vamos organizar uma provocação. Vamos organizar um levantamento popular num bairro no centro de Havana, que haja uma pessoa disposta a erguer-se pela democracia, e vamos executar um conjunto de provocações, em lugares diferentes, de modo a que as forças de segurança cubanas sejam forçadas a actuar contra essa gente e então vamos montar uma grande campanha de imprensa". E começa explicando como tudo isso iria funcionar. A coisa interessante e que chamava muito a atenção, era como seria possível que um funcionário da Secção de Interesses dos Estados Unidos tivesse o poder de convocar a imprensa e que as pessoas obedecessem com esse servilismo. Foi muito marcante. A ideia era, e eu disse-lhe mesmo, "o que estás dizendo é um disparate. Quero dizer, esse homem que me mencionaste, chamado Alci Ferrer – o jovem que tinham escolhido; um agente jovem, médico, tinha sido escolhido para ser o líder da revolta – eu disse que esse rapaz não moverá ninguém. Ninguém se vai levantar no centro de Havana. A data escolhida é, nada mais nada menos, que o aniversário de Fidel e querem esse dia! Olha amigo, se esse homem, nesse dia, aparece fazendo proclamações, ou a querer levantar alguma coisa no centro de Havana, as pessoas vão reagir forte, inclusive, é possível que esse homem seja morto. Porque, como é num bairro de trabalhadores humildes, para fazer essas coisas, os vizinhos..." E ele diz-me, literalmente, "a melhor coisa que nos pode acontecer, a nós, é que o homem seja morto; se matam esse homem, será perfeito", e explica o que vai acontecer. "Só é preciso que ele provoque. Que saiam à rua e haja aí um confronto. Se isso acontecer, a imprensa será encarregada de construir o resto". E disse, "vamos montar uma grande campanha de mediática para mostrar que em Cuba há caos, que em Cuba há ingovernabilidade, que em Cuba Raul é incapaz de manter as rédeas do governo, que está matando civis, que está reprimindo os estudantes na rua, as pessoas na rua e a polícia está cometendo crimes". Qualquer semelhança com a Venezuela, não é por acaso. É assim.

Então, o que deveria acontecer em tais circunstâncias?
Uma vez criadas todas as matrizes de opinião e que todos os meios de comunicação tivessem construído essa imagem, que o mundo inteiro tivesse a visão de que em Cuba havia uma grande confusão e estavam matando as pessoas, que estava acabando tudo, então, a minha organização deveria cumprir a tarefa final.

A CIA TRABALHA DIRECTAMENTE COM AS EMBAIXADAS DOS EUA NA AMÉRICA LATINA

Qual era a tarefa final?
Bem, chamar a imprensa internacional e, na minha qualidade de professor universitário, na minha condição de escritor, na qualidade de líder dessa organização, eu vinha publicamente pedir ao Governo dos Estados Unidos a intervenção em Cuba, para garantir as vidas de civis e para trazer paz e tranquilidade ao povo cubano. Falar ao país em nome do povo cubano. Imagine-se!

Esse plano fracassa. Não deu resultado, mas é quando se vê, mais tarde, como se arma a guerra na Líbia e a maneira como ela é construída. Mais de 80% da informação que vimos, foi construída, foi fabricada. Fazem o mesmo na Síria e o mesmo estão a fazer na Ucrânia. Eu tive a oportunidade de conversar com muitos ucranianos, que estavam na base. Pessoas que são a favor da adesão à Europa. Procurei falar com eles nesses dias. Procurando, perguntando, como são esses processos? E eles ficaram impressionados com as imagens que o mundo transmitiu. O que passou em Miami, e eles mesmos dizem, nós estávamos reclamando aí, mas essas coisas que aparecem na televisão, isso era um grupo, ou seja, havia sectores, havia lugares onde havia grupos de direita, de muito extrema direita, onde havia este tipo de incidentes e onde se incendiava, mas a maioria das manifestações, não tinha tais características. Ou seja, esta é, mais uma vez, a repetição do esquema, usando todos os meios de comunicação.

Então a relação entre a CIA e as embaixadas dos respectivos países são directas?
Sim, completamente. Em cada embaixada na América Latina, todas as embaixadas americanas têm agentes da CIA trabalhando dentro delas, usando a fachada de funcionários diplomáticos.

Pelo que conhece, onde há maior presença da CIA na região?
Bem, num determinado momento, o Equador foi uma potência forte na matéria onde havia uma forte concentração e, claro, Venezuela, porque em 2012, quando eu assisto à Feira do Livro em Caracas, toda essa gente que tinha trabalhado comigo em Cuba, todos esses agentes da CIA, incluindo Kelly Keiderling, estavam em Caracas nesse momento. E eu participo num programa de televisão, na Venezolana de Televisión, onde discutimos esta questão, tendo muito cuidado, porque estávamos falando de dois países que têm relações. Esse não é o caso de Cuba, ou seja, Cuba não tem relações com os Estados Unidos. Esse é um inimigo declarado. Mas estávamos falando de funcionários que tinham relação diplomática e era muito complicado fazê-lo, sem ter provas concretas que pudesse apresentar. No entanto, a entrevista foi realizada e a denúncia do que estava acontecendo foi feita. Kelly Keiderling é uma especialista neste tipo de guerra. Eu não tenho a menor dúvida. Basta ver o percurso que ela tem. Os países onde esteve e quando esteve nesse tipo de conflito.

AS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS DE NOTÍCIAS SÃO INFILTRADAS PELA CIA

Ela tem um percurso por uma série de países onde ocorreram situações semelhantes à que tentou criar na Venezuela. E quando se analisa a Venezuela e o que aconteceu nos dias de hoje e a forma como eles agiram, eu acho que na Venezuela a característica é que eles têm sido extremamente agressivos na manipulação da informação. A tal ponto que há imagens que são óbvias que não são na Venezuela. Eu estava olhando para uma muito famosa, onde aparece um soldado com um jornalista com uma câmara, que são coreanos. Esta é uma imagem da Coreia. São asiáticos. Não se parecem nada com venezuelanos. Até pelos uniformes usados. Eles têm sido muito agressivos com a imagem que é projectada para o mundo sobre o que está acontecendo na Venezuela. Eles controlam a comunicação. A imagem que maioria das pessoas no mundo está vendo é a imagem que eles estão interessados em dar.

Eles controlam os meios de comunicação. Você conhece algum caso de algum jornalista, conhecido ou desconhecido, que tenha visto nos processos de treino?
Não.

CNN , por exemplo?
Não. Houve um individuo que teve um vinculo comigo num dado momento, que serviu de ligação para conhecer um agente da CIA, que foi Antony Golden, que era da Reuters, mas um membro independente da Reuters. A CNN sempre esteve intimamente ligada a todas estas coisas. A CNN, desde o seu primeiro período de trabalho, especialmente nesta última etapa, e, especialmente, a CNN em espanhol, foi uma ferramenta inestimável para o trabalho dessa gente, mas o problema é que tem que se entender uma coisa, para compreender o que está acontecendo: para montar uma campanha destas, hoje, não existe nenhuma cadeia de televisão que actue por si só. Existem conglomerados e grupos de comunicação. Quem os dirige? Quem é o proprietário, por exemplo, da Time Warner e AOL e todos essas grandes empresas de comunicação, TV cabo, filmes de televisão, televisão em geral? Ah! é a Westinghouse, é a General Electric. As mesmas que fabricam um avião de combate. A mesma indústria de armas dos EUA são os mesmos que possuem hoje as cadeias de televisão, das produtoras de cinema, dos jornais, a gente que produz livros. Então, os mesmos tipos que produzem um avião de combate, um doce que vais comer à noite, que te apresenta um artista, são os mesmos que dirigem os jornais em todo o mundo. A quem responde essa gente?

Quando você vê o que está acontecendo na Venezuela e compara com o que se planeou aqui, a que conclusão pode chegar?
É uma estratégia nova, que foram desenvolvendo com a experiência que tiveram no mundo, mas eu estou convencido que só lhes deu resultado nos lugares onde as pessoas não apoiavam a revolução. Conseguiram-no com Milosevic, porque Milosevic era um líder na Jugoslávia que tinha muito fraca imagem, pelas coisas que haviam acontecido na Jugoslávia. É o mesmo na Ucrânia, porque Yanukovich era um homem que tinha muito pouco apoio popular e deu resultado em outros lugares, pelo fraco apoio que tinham os governantes. Onde quer que tenha havido um governo legítimo, um governo forte e pessoas para defender a revolução, o plano falhou.

EUA CONTINUARÃO CONSPIRANDO E APERFEIÇOANDO A SUA CAPACIDADE DE DESTRUIR

E que fase se segue quando esse plano falhar?
Vão continuar a fazê-lo, vão continuar a aperfeiçoar. Nós somos o inimigo. Por outras palavras, Venezuela, Cuba, tudo o que está sendo feito na América Latina como alternativa. Nós somos os dissidentes do mundo. Vivemos num mundo onde o capitalismo domina. Onde domina esta nova maneira de ser do capitalismo, que já nem sequer se pode chamar imperialista, é algo novo, algo que vai muito além do que os estudiosos do marxismo escreveram, anos atrás. É algo novo, uma novidade. É um poder praticamente global, das grandes transnacionais, dos megalopólios que foram criados. Então, o inimigo somos nós. Estamos apresentando um projecto alternativo. A solução que o mundo nos propõe não é isso. Sabemos como fazê-lo e Cuba, Venezuela, os países da ALBA, têm demonstrado que se pode fazer. A Revolução Cubana tem 55 anos de existência. Está validada por 55 anos de existência e, com vontade política, tem conseguido coisas que os EUA, mesmo com todo o dinheiro do mundo, não conseguiram fazer. Então, isso é um mau exemplo.

Eu dizia aos meus alunos "vocês imaginam que os Indignados da Espanha, que milhares e milhões de trabalhadores que não têm trabalho em Espanha, que os gregos, que todas as pessoas em todo o mundo, sabem o que estamos fazendo? Imaginam que as pessoas sabiam quem era Chávez? Ou, quem é Fidel? Ou as coisas que estamos fazendo aqui? E as coisas que estamos fazendo com tão poucos recursos, apenas com a vontade de fazer a revolução e repartir a riqueza? O que aconteceria com o capitalismo? Quanto duraria o capitalismo, que tem que gastar milhares de milhões de dólares todos os dias, para construir a sua imagem e enganar as pessoas? E se as pessoas soubessem quem realmente somos? O que é realmente a Revolução Cubana e o que é, realmente, a Revolução Venezuelana?" Falas com um espanhol e perguntas por Chávez e ele dá uma opinião péssima de Chávez, porque é o que construíram na sua mente; e encontras uma pessoa desempregada que diz que Chávez é um tipo terrível, porque a Comunicação Social o tem convencido que assim é, mas se as pessoas soubessem o que é realmente... Então eles não podem permitir que inimigos tão formidáveis, como nós, possam estar ali à porta.

Do ponto de vista da soberania nacional dos nossos povos, como se pode travar o trabalho da CIA? Já falámos da consciência do povo, que é fundamental neste tipo de acção, mas, em concreto, como se pode prever o trabalho da CIA? O que se pode fazer? Que recomendações faria ?
Eu acho que há uma coisa que disse Chávez, e Fidel sempre disse, que é a chave para derrotar o Império, que é a unidade. Não é um slogan, é uma realidade. É a única maneira que se tem de derrotar um projecto como este. Projecto surgido a partir dos Serviços Especiais e surgido a partir do capitalismo. Somente se pode conseguir com a unidade do povo.

Estaríamos falando do cívico-militar ?
Sim, a unidade em todos os sentidos. A unidade baseada na diversidade, nos povos, mas a unidade como nação, a unidade como projecto. Onde quer que as pessoas estejam divididas, há outra realidade.

KEIDERLING COMO AGENTE DA CIA CHEGOU BEM LONGE NA VENEZUELA

Onde temos que nos concentrar? Em que área terá que se concentrar a força para nos defendermos deste tipo de acções, desse tipo de ataque?
O exército para derrotá-lo é o povo. Eu acho que a experiência cubana o ensinou muito bem. Há experiências no mundo que marcam muito. O que aconteceu no mundo quando o povo não foi o protagonista da defesa da revolução? E quando os povos têm sido o protagonista, o que aconteceu? É o caso de Cuba. Conseguimos derrotar a CIA e o Império milhões de vezes, porque o povo tem sido o protagonista.

A CIA usa as bases de dados de redes sociais e esse tipo de coisas, para definir os seus planos ?
Eles são os proprietários. Bem, aí estão as denúncias de Snowden e tudo o que saiu do Wikileaks, que não são segredo para ninguém, porque se suspeitavam, mas agora está demonstrado. Mostra-se que os servidores internet, são deles. Todos os servidores do mundo acabam por morrer nos servidores norte-americanos. São a mãe da Internet e todas as redes e serviços são controlados por eles. Eles têm acesso a toda a informação. E não se perecebe no momento da gravação. O Facebook é uma base de dados extraordinária. As pessoas colocam tudo no Facebook. Quem são os amigos, o que gostam, que filmes vêem, o que bebem. E isso é uma fonte de informações em primeiríssima mão.

Já esteve em contacto com Kelly Keiderling depois do que aconteceu na Venezuela?
Não, não tive contacto com ela. Não sei qual foi o seu destino final depois do que aconteceu (Foi expulsa da Venezuela por reunir-se e financiar terroristas).

Com a experiência que ela tem, até que ponto poderia ter penetrado na Venezuela e nas universidades venezuelanas?
Eu tenho a certeza de que chegou bem longe. É uma agente muito inteligente, muito bem preparada, muito capaz e muito convencida do que está fazendo. Kelly é uma pessoa convencida do trabalho que está sendo realizado. Convencida da justeza, do seu ponto de vista, do que está fazendo. Porque é uma representante incondicional do capitalismo. Porque provem da elite do capitalismo. É parte da acção que está fazendo. Não há nenhuma contradição. E, com base na experiência do seu trabalho, na sua capacidade, eu tenho a certeza de que chegou muito longe, conseguiu ir muito longe e deu continuidade a um trabalho que não é novo, é um trabalho que vem fazendo desde há muito tempo para reverter o processo nas universidades venezuelanas. Até que ponto o conseguirão, a longo prazo, é o que vai mostrar o processo bolivariano, à medida que as pessoas estejam cientes do que pode acontecer. Se essa direita fascista se tornar incontrolável, vai alcançar o poder novamente.

TEMOS QUE TREINAR OS NOSSOS LÍDERES

Qualquer pessoa com contactos, que tenha como chegar ao povo, como um activista de um movimento, pode ser cooptado pela CIA?
Vão encontrá-lo, vão tentar fazê-lo. Se é jovem e é um líder, vão tentar cooptá-lo para os seus interesses. Temos que formar os nossos líderes. Não podemos deixar isso à espontaneidade, nem podemos deixar isso para o inimigo. Se deixarmos isso ao inimigo é o inimigo que ocupa os espaços. Projecto alternativo que nós deixemos sem vigilância, projecto alternativo que não estejamos conscientes da necessidade de abordá-lo, é um projecto em que o inimigo vai tentar, por todos os meios, que seja feito por ele. Usando a grande quantidade de dinheiro que tem para isso, que não tem limite, em termos de recursos para usar, porque se eles estão jogando o futuro, sobretudo, os jovens são a chave.

A coisa boa é que os jovens são o presente da América Latina. A revolução latino-americana que está aí, que está em toda parte, é jovem. Se não, bem, nunca iria resultar e se conseguires que esses jovens pensem diferente, se conseguires que estes jovens acreditem que este capitalismo selvagem é a solução para todos os seus problemas, então não há revolução para a América Latina. Tão simples como isso.

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Edited by macaense, 07 April 2014 - 12:21 AM.

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Posted 07 April 2014 - 12:23 AM

Ex-agente Raúl Capote: Los planes de la CIA avanzaron mucho en Venezuela
Por: Revista Chávez Vive | Domingo, 23/03/2014 06:27 AM| Versión para imprimir
raul_capote.jpg
Raúl Capote Credito: Revista Chávez Vive

23 de marzo de 2014.- Raúl Capote es cubano. Pero no uno cualquiera. En su juventud fue captado por la Agencia Central de Inteligencia (CIA por sus siglas en inglés) de los Estados Unidos. Le ofrecieron una cantidad infinita de dinero, para conspirar en Cuba. Pero surgió algo inesperado para EEUU. Capote, en realidad, trabajaba para la seguridad nacional cubana. Desde entonces, cumplió funciones como doble agente. Conozca su historia, a través de una entrevista exclusiva con Chávez Vive, que concedió en La Habana.

Yo era líder de un movimiento estudiantil y la CIA me captó

- ¿Cómo fue su proceso de captación?

- Empezó como un proceso de muchos años, de varios años de preparación y de captación. Yo era líder de un movimiento juvenil en Cuba que, en ese momento, dio surgimiento a una organización, la Asociación Cultural de Hermanos Saiz, una asociación de jóvenes creadores, jovenes pintores, escritores, artistas. Yo trabajaba en una ciudad del sur de Cuba, sur-centro de Cuba, Cienfuegos, que tenía características que para el enemigo se hicieron muy interesantes, porque era una ciudad donde se estaba construyendo un polo industrial importante en ese momento. Se estaba construyendo una central eléctrica, la única que se iba a hacer en Cuba, y había mucha gente joven construyendo la obra. Por lo tanto una ciudad que, además, tenía muchos ingenieros jóvenes graduados en la Unión Soviética. Estamos hablando de los años finales de los ochenta, donde había todo aquel proceso de la Perestroika. Y muchos ingenieros cubanos, que llegaban a Cuba en esa época, graduados allá, se consideraban gente que llegaban con esa idea de la Perestroika. Por tanto, era un territorio interesante, donde había mucha gente joven. Y el hecho de que yo fuera un líder juvenil de una Organización cultural, que movía un importante sector de los ingenieros que estaban interesados por las artes, se hizo interesante para los norteamericanos, y empezaron a frecuentar las reuniones donde nosotros asistíamos. Nunca identificándose como enemigos, ni identificándose como oficiales de la CIA.

- ¿Eran varios, o siempre una misma persona?

- Varios. No se presentaban nunca como oficiales de la CIA, ni gente que venía a hacer daño ni nada.

- Y, ¿quiénes se suponían que eran?

- Se presentaban como gente que venía a ayudarnos a nosotros, a nuestro proyecto, y que tenían la posibilidad de financiarlo. Que tenían la posibilidad de hacerlo realidad. La propuesta, como tal, sonaba interesante porque, bueno, un proyecto en el mundo de la literatura, requiere que tú conozcas una editorial, que tengas relaciones editoriales. Es un mercado muy complejo. Y venían a nombre de editoriales. Lo que pasaba es que, durante el proceso de contacto con nosotros, aparecía bastante evidente lo que realmente querían. Porque, una vez que hacían el contacto, una vez que empezaban a frecuentar las reuniones nuestras, que empezaban a prometer los financiamiento, venían, entonces, las condiciones para ser financiados.

La CIA tiene un presupuesto infinito

.- Qué condiciones exigían?

- Nos decían: Nosotros tenemos la posibilidad de poner el mercado a la disposición de ustedes, de hacerlos llegar al mercado del libro o de la plástica o del cine o de lo que sea, pero, nosotros necesitamos la verdad, porque, lo que se vende en el mercado, es la imagen de Cuba. La imagen de Cuba tiene que ser una imagen realista, de las dificultades, de lo que pasa en el país. Querían enviciar la realidad de Cuba. Lo que te estaban pidiendo es que tú hicieras una crítica de la revolución, basada en las líneas de propaganda contra Cuba, que ellos manejaban.

-A cuánto puede ascender el presupuesto de esta gente?

- Ellos venían con una cantidad de dinero infinita, porque la fuente del dinero, por supuesto, nosotros con el tiempo sí logramos saber de dónde provenía. Por ejemplo, estaba la USAID, que era la patrocinadora mayor, la contratista mayor de todo ese presupuesto, que se canalizaba a través de las ONGs, que muchas veces se inventaban para Cuba. Eran ONGs que no existían, que se crearon únicamente para ese tipo de trabajo en Cuba, y estamos hablando de miles y miles de dólares. Ellos no trabajaban presupuestos chiquitos. Por ponerte un ejemplo, en un momento determinado, a mí me ofrecieron diez mil dólares, solamente por incluir elementos de la propaganda contra Cuba, en la novela que yo estaba trabajando.

- ¿De qué año estamos hablando?

- Estamos del año 1988, 89

- ¿Cuántas personas pudieron haber sido contactadas por esta gente, o captadas?

- Realmente no duró mucho el éxito, porque en Cuba había toda una cultura de enfrentamiento a este tipo de cosas, y la gente lo tenía muy claro, que podía haber algo detrás de esa historia, de que querernos ayudar. No era nuevo en la historia del país, y, por lo tanto, les era muy difícil llegar a donde nosotros estábamos. En un momento determinado, allá en el año 92, nosotros hicimos una reunión, todos los miembros de la organización, y se decidió expulsarlos. No permitir que asistieran más a ninguna de las reuniones nuestras. Esa gente, que ya estaba llegando con propuestas concretas, y condicionando, además, la ayuda económica que nos estaban dando. Lo que sucede es que en el momento que nosotros hacemos esa actividad, y los rechazamos, los expulsamos de la sede de la asociación, entonces, empiezan a particularizar. Empiezan a visitarme a mí, en particular, y a algunos compañeros más, gente joven. Con algunos tuvieron éxito, o sea, algunos de ellos lograron, incluso, sacarlos del país.

- ¿Qué perfil buscaban ellos, más o menos, si se puede especificar algún perfil?

- Ellos querían, sobre todo en esa época, presentar a Cuba como un país que estaba en el caos. Que el socialismo en Cuba no había logrado satisfacer las necesidades de la población, y que Cuba era un país al que el socialismo lo había llevado a la pobreza absoluta, y que, como modelo, no gustaba. Era la clave de lo que se perseguía, sobre todo en ese momento.

En Venezuela trabajó una agente con experiencia

en tumbar gobiernos

- Cuánto tiempo estuvo usted como agente de la CIA?

- Estuvimos en esa historia inicial hasta el año 94. Porque en el año 94 yo vengo a La Habana, regreso aquí a la capital y aquí, en la capital, entro a trabajar en el Sindicato de los Trabajadores de la Cultura, un sindicato que representa a los trabajadores de la cultura en la capital, y me hice todavía más interesante para ellos, porque pasaba de dirigir, de ser líder de una organización juvenil que tenía 4.000 miembros, a dirigir una organización sindical que tenía 40.000 afiliados. O sea, con una organización sindical con 40.000 afiliados, solamente en la ciudad de La Habana. Y entonces, se hizo mucho más interesante. Siguieron los contactos. En esa época apareció una profesora de una universidad nueva que vino con la misión de impulsar la producción de mi obra literaria, de convertirse en mi representante, de organizar eventos.

- ¿Puede dar el nombre?

- No, porque realmente usaban seudónimos. Nunca usaban los nombres reales. Y ese tipo de trabajo, de promocionarme a mí como escritor, era en lo que ellos estaban muy interesados, porque querían convertirme en una personalidad dentro de ese mundo. Promoviéndome ahora, y comprometiéndome con ellos de manera no directa. Y ya, en el año 2004, llega aquí a La Habana una persona que es bien conocida en Venezuela, Kelly Keiderling. Kelly viene a La Habana a trabajar como Jefa de la Oficina de Prensa y Cultura. Preparan una reunión. Preparan un coctel, y en ese coctel tengo un encuentro con doce funcionarios norteamericanos, norteamericanos y europeos. No solamente eran norteamericanos. Todos, personas que tenían experiencia, algunos que tenían experiencia, incluso, dentro de la misma Unión Soviética, otros, habían participado en entrenamiento y preparación de la gente en Yugoslavia, en la Revolución de Colores, y tenían mucho interés en conocerme. Kelly se convierte en una persona muy cercana. Me empieza a preparar. Me empieza a instruir. Empiezo a recibir, delante de ella, un entrenamiento muy sólido: La creación de grupos alternativos, la creación de grupos independientes, la organización y formación de líderes juveniles, sobre todo, en proyectos de cultura, pero, que siempre fueran alternativos, que no participaran del trabajo de las Instituciones culturales. Ya eso fue en el año 2004-2005. Kelly sale prácticamente de escena en 2005-2006. Y entro a trabajar, ella me presenta, me pone en contacto directo, con oficiales de la CIA. Supuestamente, yo ya estaba comprometido con ellos, estaba listo para la próxima misión, y me ponen en contacto con Renee Greenwald, un oficial de la CIA que empieza a trabajar conmigo de manera directa, y con un señor que se llamaba Mark Waterhein, que era, en ese momento, el jefe del Proyecto Cuba, de la Fundación Panamericana para el Desarrollo.

Centenares de jóvenes venezolanos fueron captados por la CIA

Este señor Mark, además de dirigir el Proyecto Cuba, tenía una vinculación directa con Cuba, en el tema de financiamiento del proyecto contra la Revolución, además, estaba involucrado en tareas contra Venezuela. O sea, era un hombre que, muchos de su equipo, de los funcionarios de ese famoso proyecto, también trabajaban contra Venezuela en ese tiempo. Estaban estrechamente vinculados. A veces costaba mucho trabajo diferenciar, quién trabajaba con Cuba, y quién no, porque muchas veces se intercalaban. Por ejemplo, había venezolanos que venían a trabajar conmigo, que trabajaban en Washington, que estaban subordinados a la Fundación Panamericana y a la CIA, y venían a Cuba a entrenarme también, y a traer suministros. De ahí sale la idea de crear una fundación, un proyecto que se llamó Génesis.

Génesis es quizás la matriz, como idea, de muchas de las cosas que han pasado en el mundo en el día de hoy, en estos momentos, porque Génesis es un proyecto dirigido a los jóvenes universitarios cubanos. Estaban haciendo algo similar en Venezuela. Porque, qué pasa? La idea estaba en convertir a las universidades -universidades que siempre habían sido revolucionarias, que habían producido revolucionarios, de las que hubieran salido muchos de los revolucionarios de ambos países-, y convertirlas en universidades que fueran fábricas de reaccionarios. Entonces, tú ¿cómo puedes hacer eso? Formando líderes. ¿Qué empezaron a hacer en Venezuela? Enviaban estudiantes hacia Yugoslavia, financiados por el Instituto Republicano Internacional (IRI), que era financiado por la USAID y financiado por el Albert Einstein Institute, y los enviaban, en grupos de diez, con su profesor.

- ¿Tiene los nombres de los venezolanos?

- No, estamos hablando de que enviaron cientos. Yo hablaba con el profesor, y miraba un grupo y seguía el otro. Porque están trabajando a largo plazo. El mismo plan era igual contra Cuba. Génesis promovía, dentro de la universidad, un plan de becas de formación de líderes para estudiantes cubanos y profesores cubanos. El plan era muy parecido. Incluso, en el 2003, ellos preparan aquí, en La Habana, un curso en la Sección de Intereses de los Estados Unidos, que se llamaba, Derribando un líder, derribando un dictador, que está basado en la experiencia de Otpor para sacar a Milosevic del poder. Y es la idea, dentro de la universidad cubana, que están trabajando a largo plazo, porque todos esos proyectos tienen siempre un plazo largo, para que tengan resultado. Por eso, también empezaron temprano en Venezuela. Yo creo, incluso, no tengo pruebas, pero, yo creo que en Venezuela comenzó, antes del gobierno de Chávez, porque el plan de convertir a las universidades latinoamericanas, que siempre fueron fuentes de los procesos revolucionarios, en universidades reaccionarias, es más antiguo que el proceso venezolano, para revertir la situación y crear una nueva derecha.

La CIA trabaja en toda Venezuela

- ¿La CIA solo trabaja en Caracas?

No, en toda Venezuela. Ahora, en ese momento, Génesis tenía en Cuba un plan de becas para formar líderes. A los estudiantes les proponían una beca en una gran universidad norteamericana, o una gran universidad europea, para formarse como líderes, con todo pago. Les pagan gastos, les pagaban becas completas. Estamos hablando del año 2004-2005. Era muy evidente. Entonces, esos líderes regresarían a la universidad en algún momento. Son estudiantes. Van a terminar su carrera. Esos líderes, cuando terminen sus carreras, van a ocupar diferentes cargos, diferentes posibilidades, como ingenieros, como licenciados en diferentes sectores de la sociedad cubana, pero, hay otros que van a estar constantemente preparando líderes dentro de la universidad. Una de las misiones más importante, de los líderes de la universidad, era ocupar el liderazgo de las principales organizaciones juveniles de la universidad. En el caso de Cuba estamos hablando de la Unión de Jóvenes Comunistas, y de la Federación Estudiantil Universitaria, o sea, no era crear grupos paralelos en ese momento, sino convertirse en los líderes de las organizaciones que existían en Cuba. Junto con eso, formar un grupo de líderes en las estrategias de golpe suave. O sea, entrenar gente para cuando el momento fuese oportuno, en el momento ideal poder efectuar las famosas revoluciones de colores o guerras no violentas, que tú sabes bien que, de no violentas, no tienen nada.

- ¿Qué perfil buscan en un profesor, para ser captado?

- Profesores es muy fácil. Identificar en la universidad profesores que fueran gente descontenta con la institución, gente frustrada, porque consideraban que la institución no les garantizaba, o no les reconocían sus méritos. Si eran mayores, mejor todavía. No lo especificaban. Escogen a personas mayores, para que tú la selecciones. Si tú envías un plan de becas, o tú lo envías y de, buenas a primeras, recibe una invitación para participar en un gran congreso internacional de determinada ciencia, te va a estar agradecido eternamente, porque tú fuiste el que le descubriste su talento, que nunca había sido reconocido por la universidad. Entonces, a ese hombre que tú pones a estudiar afuera, que tú eres de su universidad, y participando en un gran evento, y le publican la obra, y le construyen un curriculum. Cuando ese hombre regrese a Cuba, regresa con un tremendo curriculum, porque ha participado de un evento científico de primer nivel, ha pasado cursos de grandes universidades, y su currículo llegaba hasta el techo, por lo tanto, la influencia que podía tener en la universidad era mayor, porque podía ser reconocido como una figura en su especialidad, aunque en la práctica el hombre fuera un ignorante.

Realmente no era un agente de la CIA, yo era un agente de la

Seguridad Cubana

- Y, ¿qué tan eficientes y eficaces son ese tipo de captaciones, ese tipo de misiones que ellos venían a cumplir acá?

- En el caso de Cuba, no les dio mucho resultado. Primero, porque había una razón importantísima, porque el que estaba dirigiendo el proyecto era yo, y yo, realmente no era un agente de la CIA, yo era un agente de la Seguridad Cubana, por tanto, todo el proyecto pasaba por mis manos, y se suponía que yo fuera el que lo ejecutara, y el plan pasaba siempre por el trabajo que yo pudiera hacer, y lo que hacíamos era entorpecérselo al máximo, al tener conocimiento, de inmediato, de lo que se estaba planificando. Pero, fíjate que el fin de su plan, estaban calculándolo para el momento en que desaparecieran las figuras históricas de la Revolución. Ellos estaban calculando un plazo de cinco o diez años, en que Fidel desapareciera de la escena política, y desaparecieran de escena, Raúl y los líderes históricos del país. Ese era el momento que estaban esperando, cuando eso ocurriera, debía salir de la universidad, con todo el apoyo de la prensa internacional y con todo el apoyo de las ONGs, de la USAID, y de toda esta gente que trabaja alrededor del dinero norteamericano de la CIA, y que surgiría una organización que se diera a presentar ante la luz pública, como una alternativa a lo que estaba haciendo la Revolución. Eso es lo viene que sucediendo con la Fundación Génesis para la Libertad.

- ¿Qué es esa Fundación?

- La Fundación Génesis para la Libertad debía tener un discurso, aparentemente revolucionario, porque la idea era confundir a la gente. La idea es que dijeran que eran revolucionarios, que lo que querían era hacer cambios en el gobierno, pero, cuando tú ibas a la práctica, cuando ibas a la esencia del proyecto, cuando tú te decías, ¿cuál era el proyecto?, el discurso era, y el proyecto era, exactamente los mismos de la derecha tradicional, porque los cambios que ellos promovían, eran los cambios que la derecha, hacía rato, estaban promoviendo dentro del país. En la práctica, casi se les da la gran oportunidad, según el criterio de ellos, en el 2006, cuando sale la noticia en televisión que Fidel, por razones de enfermedad, dejaba de ocupar las responsabilidades que tenía en el Gobierno, y ellos siempre han dicho que la Revolución Cubana, el día que Fidel se muera, se caía. Porque la Revolución era Fidel, y que el día que Fidel no estuviera ahí, se muriera o saliera del Gobierno, al otro día la Revolución se caía, y calcularon que iba a haber enfrentamientos internos, que iba a haber descontento con esto, con aquello. Cálculos que no sé, de dónde rayos, lo sacaron, pero lo creían. Y en ese momento, ellos creyeron que era la hora de comenzar a actuar.

CIA: Lo mejor que nos puede pasar es que maten a un opositor

- Estamos hablando del año 2006. Y ¿cuál era el plan?

- Me llaman automáticamente. Nos reunimos, el jefe de la estación CIA, aquí en La Habana, también aparecieron funcionarios diplomáticos, y uno me dice, vamos a organizar una provocación. Vamos a organizar un levantamiento popular en un barrio céntrico de La Habana, que haya una persona que esté dispuesta a irse en alza, por la democracia, y vamos a ejecutar un grupo de provocaciones, en diferentes lugares, de manera que las fuerzas de seguridad cubanas se vean obligadas a actuar contra esa gente, y luego vamos a armar una gran campaña de prensa, y empieza explicando cómo todo eso iba a funcionar. Lo interesante de eso está en que, llamaba muy fuerte la atención, ¿cómo era posible que, un funcionario de la Sección de Intereses de los Estados Unidos, tuviera el poder de convocar a los principales medios de prensa, y que esa gente lo obedeciera con ese servilismo? Era muy llamativo. La idea era., incluso yo le dije, eso que me estás diciendo es un disparate. O sea, este hombre que tú me mencionas a mí, que se llamaba Alci Ferrer -el muchacho que ellos habían escogido; un agente joven, médico, lo habían escogido para ser el cabecilla del levantamiento, le dije, ese muchacho no va a mover a nadie. Nadie se va a levantar en el centro de la Habana. La fecha que escogen es, nada más que el día de cumpleaños de Fidel, y me dicen ese día!, y yo digo, mire compadre, si a ese hombre, ese día, se le ocurre ponerse a tirar proclamas, o a querer levantar algo en el centro de la Habana, la gente le va a responder fuerte, inclusive, es posible que a ese hombre lo maten. Porque, como se ponga en un barrio de trabajadores humildes a tirar esas cosas, los vecinos. Y me dice, textualmente, lo mejor que a nosotros nos puede pasar, es que a ese hombre lo maten; si a ese hombre lo matan, sería perfecto, y me explica qué es lo que va a pasar. Sólo hace falta que él provoque. Que salgan pa la calle, y que haya un choque allí. Si ocurre eso, la prensa se va a encargar de construir lo demás, y me dice, vamos a armar una gran campaña mediática para demostrar que en Cuba hay caos; que en Cuba hay ingobernabilidad; que en Cuba, Raúl es incapaz de sostener las riendas del Gobierno; que se está asesinando a la población civil, que se está reprimiendo a los estudiantes en la calle, al pueblo en la calle, que la policía está cometiendo crímenes. Cualquier semejanza con Venezuela, no es pura casualidad. Es así.

- Entonces, qué debería pasar en esas circunstancias?

- Una vez que estuvieran creadas todas las matrices de opinión, y que todas las matrices mediáticas tuvieran construida esa imagen. Que el mundo entero tuviera la visión de que en Cuba había un gran desastre, y que estaban matando a la gente; que se estaba acabando todo. Entonces, mi Organización debía cumplir la tarea final.

La CIA trabaja directamente con las embajadas de EEUU en Latinoamérica

- ¿Cuál era la tarea final?

- Bueno, convocar a la prensa internacional, en mi condición de profesor universitario, en mi condición de escritor, en mi condición de líder de esa organización, que yo salía públicamente a solicitarle al Gobierno de los Estados Unidos la intervención de Cuba, para garantizar la vida de los civiles y para traer la tranquilidad y la paz al pueblo cubano. Hablar al país a nombre del pueblo cubano. Imagínate tú!

Ese plan les fracasa. No les dio resultado, pero, es que cuando tú ves, después, la manera en que se arma lo de la guerra en Libia, y la manera en que se construye. Más del 80% de la información que vimos, se construyó, se fabricó. Lo mismo hacen en Siria, lo mismo se lo han hecho a Ucrania. He tenido la oportunidad de conversar con muchos ucranianos, ahora que estuvieron en las bases. Gente que está a favor de unirse con Europa. Yo busqué hablar con ellos estos días. Buscando, indagando saber, ¿cómo son los procesos esos? Y ellos se han quedado asombrados de las imágenes que el mundo ha transmitido. Lo que pasó en Miami, y ellos mismo lo dicen, pero, nosotros estábamos protestando ahí, pero esas cosas que aparecen en la televisión, eso era un grupo, o sea, había sectores, había lugares donde había grupos de derecha, de muy extrema derecha, donde hubo incidentes de ese tipo, y donde se quemaron, pero, la mayor parte de las manifestaciones, no tuvieron esas características. O sea que esta es, una vez más, la repetición del esquema, usando todos los medios de comunicación.

- La relación entre el de la CIA y las embajadas, en los respectivos países, ¿son directas, entonces?

- Sí, completamente directas. En cada embajada en Latinoamérica, todas las embajadas americanas tienen oficiales de la CIA, trabajando dentro de ellas, que utilizan la fachada de funcionarios diplomáticos.

- De lo que usted conozca, ¿dónde hay mayor presencia de la CIA en la región?

- Bueno, en un determinado momento, Ecuador fue una potencia fuerte en eso, tenía una concentración fuerte en eso y, por supuesto, Venezuela, porque en el 2012, cuando yo asisto a la Feria del Libro en Caracas, toda esa gente que ha trabajado conmigo contra Cuba, todos los oficiales de la CIA, incluso Kelly Keiderling, estaban en Caracas en ese momento. Y yo participo en un programa de televisión, allá en Venezolana de Televisión, donde hablamos ese tema, siendo muy cuidadosos, porque estamos hablando de dos países que tiene relaciones. Ese no es el caso de Cuba, o sea, Cuba no tiene relaciones con Estados Unidos. Ese es un enemigo declarado. Pero estábamos hablando de funcionarios que tenían relación diplomática, y era muy engorroso hacerlo, sin tener pruebas concretas que tú pudieras presentar, sin embargo, se hizo la entrevista, y se hizo la denuncia de lo que estaba pasando. Kelly Keiderling es una experta en ese tipo de guerra. A mí no me cabe la menor duda. Cuando uno sigue el itinerario que ella tiene. En los países donde estuvo, y cuando estuvo en ese tipo de conflicto.

Agencias internacionales de noticias son penetradas por la CIA

Ella tiene un recorrido a través de una serie de países del mundo, donde han ocurrido situaciones muy similares a la que ella trató de realizar en Venezuela. Y cuando tú analizas Venezuela, y lo que ha pasado estos días y la manera como se ha actuado, yo pienso que en Venezuela, la característica que ha tenido, es que han sido tremendamente agresivos en la manipulación de la información. Tremendamente agresivos. Hasta llegar al punto que, tú dices que es una torpeza, porque hay imágenes que son tan evidentes, que no son en Venezuela Yo estaba viendo una muy famosa, donde que aparece un soldado con un periodista, con una cámara, que son coreanos. Esa es una imagen de Corea. Son asiáticos. No se parecen en nada a un venezolano Incluso, los uniformes que utilizan. Han sido muy agresivos con la imagen que se ha proyectado al mundo de lo que pasa en Venezuela. Controlan los medios. La mayor parte de la gente del mundo, la imagen que está viendo es la imagen de lo que ellos están tratando de decir.

- Ellos controlan los medios, conoce algún caso de algún periodista que haya sido, que usted lo haya visto, conocido o no conocido, que usted lo haya visto en los procesos de entrenamiento?

- No.

- CNN, por ejemplo?

- No, había un tipo que tuvo mucha vinculación en algún momento conmigo aquí, que sirvió de enlace para conocer a un oficial de la CIA, que fue Antony Golden, que era de Reuter, pero, bueno, era un elemento independiente de Reuter. CNN ha estado siempre muy vinculada a todas estas cosas. CNN, desde su primer período de trabajo, sobre todo esta última etapa de trabajo, y, sobre todo, CNN en español, ha sido una herramienta indiscutible del trabajo de esta gente, pero, el problema es que hay que entender una cosa, para poder comprender lo que está pasando, y, para poder armar una campaña de estas, hay que entender que, hoy en día, no existe ningún tipo de cadena de televisión que actúe por sí sola. Ahí están los conglomerados, y los conglomerados de las comunicaciones, ¿quiénes los dirigen? Porque, por ejemplo ,Time Warner y Aol, y todas estas grandes compañías de las comunicaciones de la televisión por cable, de la televisión de cine, de televisión en general, al final, ¿quién es el dueño? Ahí está Westinghouse, ahí está General Electric. Los mismos que te fabrican un avión de combate, la misma industria armamentista norteamericana, es la misma gente que hoy en día son dueños de las cadenas de televisión, de las productoras de cine, de los periódicos, de la gente que produce libros. Entonces, los mismos tipos que producen un avión de combate, que una galletica dulce que te vas a comer en la noche, que te la presenta un artista, son los mismos que dirigen los diarios del mundo entero. ¿A quién responde esa gente?

- Cuando usted ve lo que está sucediendo en Venezuela, y lo compara con lo que tenía planeado usted acá, ¿a qué conclusión puede llegar?

- Es una estrategia nueva, que han ido desarrollando sobre la experiencia que han tenido en el mundo entero, pero veo, estoy convencido, que sólo les ha resultado, cuando en esos lugares el pueblo no apoya la revolución. Eso lo lograron con Milosevic, porque Milosevic era un líder en Yugoslavia que ya se había derrumbado mucho su imagen, por las cosas que habían sucedido en Yugoslavia. Pasa lo mismo en Ucrania, porque Yanukovich era un hombre que tenía muy poco apoyo popular, y les ha dado resultado en otros lugares, a partir del poco apoyo que han tenido los gobernantes, por parte del pueblo. Donde quiera que ha habido un gobierno legítimo, un gobierno sólido, y gente dispuesta a defender la revolución, el plan les ha fallado.

EEUU seguirá conspirando y perfeccionando su

capacidad para destruir

- Y, ¿en qué fase entra cuando ese plan falla?

- Lo van a seguir haciendo, ellos lo van a seguir perfeccionando. Nosotros somos el enemigo. O sea, Venezuela, Cuba, todo lo que se está haciendo en América Latina como una alternativa. Nosotros somos los disidentes del mundo. Nosotros vivimos en un mundo donde domina el capitalismo. Donde domina esa nueva manera de ser del capitalismo, que ya ni siquiera se le puede decir imperialista, es algo nuevo, algo que va mucho más allá de lo que los estudiosos del marxismo escribieron en la historia, años atrás. Es algo nuevo, novedoso. Es un poder, prácticamente global, de las grandes transnacionales, de esos megalopolios que han creado. Entonces, el enemigo somos nosotros. Nosotros estamos presentando un proyecto alternativo. La solución que nos propone el mundo, no es esa. Nosotros sabemos cómo hacerlo, y Cuba, Venezuela, los países del Alba, han demostrado que se puede hacer, que no es nada más, uno o dos días. La Revolución Cubana tiene 55 años de existencia. Está validada por 55 años de existencia, y, con voluntad política, ha logrado cosas que el Gobierno norteamericano, ni con todo el dinero del mundo, lo ha logrado hacer. Entonces eso es un mal ejemplo.

Yo les decía a mis estudiantes, ¿ustedes se imaginan que los Indignados en España, que los miles y millones de obreros que en España no tiene trabajo, que los griegos, que toda esa gente en el mundo entero, supieran lo que nosotros estamos haciendo? ¿Tú te imaginas que la gente se enterara, de quién es Chávez? O, ¿de quién es Fidel? ¿O de las cosas que estamos haciendo aquí? ¿Y de las cosas que estamos haciendo con tan pocos recursos, sólo con la voluntad de hacer la revolución, y repartir la riqueza? ¿Qué pasaría con el capitalismo? ¿Cuánto duraría el capitalismo, que tiene que gastarse billones de dólares, todo los días, para construir su imagen y engañar a la gente? ¿Qué pasaría si la gente supiera quiénes somos realmente? ¿Qué cosa es realmente la Revolución Cubana, y qué cosa es, realmente, la Revolución Venezolana? Porque, tú hablas con un español y le preguntas por Chávez, y te da una opinión pésima de Chávez, porque es lo que le han construido en su mente; y te encuentras un desempleado que te dice que Chávez es un tipo terrible, porque los medios lo han convencido que es así, pero, si esa gente supiera qué cosa es realmente Entonces, ellos no pueden permitir que enemigos tan formidables, como nosotros, estemos allí, a la puerta.

- Desde el punto de vista de la soberanía nacional de nuestros pueblos, ¿cómo se puede frenar el trabajo de la CIA? Ya hablábamos de la conciencia del pueblo, que es fundamental en este tipo de acciones, pero, en lo concreto, ¿cómo se puede prever el trabajo de la CIA? ¿Qué se puede hacer? ¿Qué recomendaciones haría?

- Pienso que hay una cosa que Chávez dijo, y que Fidel lo ha dicho siempre, que es la clave para derrotar al imperio, que es la unidad. No es una consigna, es una realidad. Es la única forma que tú tienes de derrotar un proyecto como ese. Proyecto surgido desde los Servicios Especiales, y surgido desde el capitalismo. Sólo se puede con la unidad de la gente.

- ¿Estaríamos hablando de lo cívico-militar?

- Sí, la unidad en todos los sentidos. La unidad basada en la diversidad, en los pueblos, pero, la unidad como nación, la unidad como proyecto. Donde quiera que la gente se divide, hay otra realidad.

Keiderling como agente de la CIA llegó bastante lejos en Venezuela

- ¿Dónde se tienen que concentrar? ¿En qué área se tienen que concentrar la fuerza, para defendernos de este tipo de acciones, de este tipo de ataques?

- El ejército para derrotar eso, es el pueblo. Yo creo que la experiencia cubana, lo ha enseñado muy bien. Hay experiencias en el mundo que te marcan muy claro. ¿Qué ha pasado en el mundo, cuando no ha sido el pueblo el protagonista de la defensa de la revolución? Y cuando el pueblo ha sido protagonista, ¿qué ha pasado? Y es el caso de Cuba. Nosotros hemos logrado derrotar, millones de veces a la CIA y al Imperio, porque el pueblo ha sido el protagonista.

- ¿Utiliza la CIA la base de datos de las redes sociales, y ese tipo de cosas, para definir sus planes?

- Son los dueños. Son los dueños de eso. Bueno, allí están las denuncias de Snowden y todo lo que ha salido de Wikileaks, y todas esas cosas que, no es que sea un secreto para nadie, porque se sospechaba, pero, está demostrado. Está demostrado que los servidores, internet, son de ellos. Todos los servidores del mundo, al final, mueren en los servidores de los norteamericanos. Son la madre de internet, y todas las redes y los servicios están controlados por ellos. Ellos tienen acceso a toda la información. Y no se miden a la hora de grabarlo. Facebook es una base de datos extraordinaria. La gente pone en Facebook todo. ¿Quiénes son los amigos? ¿Qué gustos tienen, qué cine ven? ¿Qué consumen? Y esa es una fuente de información de primerísima mano.

- ¿Ha estado en contacto con Kelly Keiderling, después de lo que pasó en Venezuela?

- No, no he tenido contacto con ella. No sé cuál fue su destino final, después de lo que pasó (Fue expulsada de Venezuela por reunirse y financiar a terroristas).

- Con la experiencia que ella tiene, ¿hasta qué punto pudo haber penetrado en Venezuela, y en las universidades venezolanas?

- Yo tengo la seguridad que llegó bastante lejos. Es una agente muy inteligente, muy bien preparada, muy capaz, y muy convencida de lo que está haciendo. La Kelly es una persona convencida del trabajo que está realizando. Convencida de la justeza, desde su punto de vista, de lo que está haciendo. Porque es una representante incondicional del capitalismo. Porque proviene de la élite del capitalismo. Es orgánica de la acción que está haciendo. No hay ningún tipo de contradicción. Y, basado en la experiencia de su trabajo, de su capacidad, tengo la seguridad de que ella logró llegar bien lejos, logró llegar bien lejos y le dio continuidad a un trabajo que no es de ahora, es un trabajo que viene haciéndose desde hace mucho tiempo, para revertir el proceso en las universidades venezolanas. Lo que pasa es que hasta qué punto lo pueden lograr, a la larga, eso es lo que va a mostrar el proceso bolivariano, en la medida que la gente tenga conciencia de lo que puede pasar. Si esa derecha fascista se hace incontrolable, logrará alcanzar el poder otra vez.

Nosotros tenemos que formar los

líderes nuestros

- Cualquier persona que tenga contactos, que tenga como llegarle al pueblo, como ser activista en un movimiento, ¿puede ser captado por la CIA?

- Van a encontrarlo, van a intentar hacerlo. Si es joven y es líder, van a intentar captarlo para sus intereses. Nosotros tenemos que formar los líderes nuestros. Nosotros no podemos dejar eso a la espontaneidad, ni podemos dejarle eso al enemigo. Entonces, si se los dejamos al enemigo, son espacios que el enemigo ocupa. Proyecto alternativo que nosotros dejamos sin atender, proyecto alternativo que no nos damos cuenta de la necesidad de acercarnos a él, ese es un proyecto del que el enemigo va a tratar, por todos los medios, de hacerse con él. Usando la enorme cantidad de dinero que tienen para eso, que no tiene límite, en cuanto a recursos para poder utilizarlos, porque se están jugando el futuro y, sobre todo, los jóvenes son la clave.

Lo bueno es que los jóvenes son el presente de América Latina. La revolución latinoamericana que esta por acá, que está en todos lados, es de los jóvenes. Si no, bueno, nunca tendría resultado, y si tú lograras que esos jóvenes pensaran diferente, si tú logras que esos jóvenes creyeran que este capitalismo salvaje es la solución a todos sus problemas, entonces, no hay revolución para América latina. Sencillamente.


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