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Ucrânia: Por que não há intervenção militar russa 30/5/2014


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Posted 02 June 2014 - 11:10 AM

Ucrânia: Por que não há intervenção militar russa
 
Vila+Vudu+medio.JPG
30/5/2014, The Saker, The Vineyard of the Saker
Traduzido do inglês pelo pessoal da Vila Vudu (original em russo) [3]
 
 
 
 
The+Saker.jpg The Saker
 
“O mês crítico, a esperar, é dezembro-2014”
 
 
 
Simon+Uralov.jpg Simon Uralov
O nível da discussão analítica pela Internet russa está perfeitamente avaliado pelo cientista político Simon Uralov: “Dizer que a crise ucraniana enlouqueceu a cabeça dos colegas em Kiev e os converteu em histéricos sedentos de sangue é fundamentalmente errado. Entre os colegas em Moscou também surgiu número incrível desse mesmo tipo de histéricos”
 
 
 
O objetivo desse artigo é dar um passo para fora da histeria e analisar friamente a situação na Ucrânia.
 
 
 
Começo pelos necessários esclarecimentos em vários tópicos emocionalmente importantes:
 
 
 
Por que não há intervenção militar russa? 
 
 
 
Igor+Strelkov-coronel.jpg Igor Strelkov
Se esse artigo tivesse sido redigido há alguns poucos dias, parte significativa dele teria de ter sido dedicada a explicar por que enviar tropas à Ucrânia era não adequado; e que seria simples e puramente estúpido, mesmo depois do referendo. Por felicidade, o comando da Resistência em Slaviansk, Igor Strelkov, deu conta dessa missão melhor que eu: em sua mensagem por vídeo, ele claramente falou da inércia da população local de Lugansk e Donetsk em termos de ação real para defender os próprios interesses contra a Junta.
 
 
 
Antecipando discussões sobre o referendo, apresso-me a dizer que fazer uma marca na cédula de voto é certamente ótimo, mas não é muito diferente de outros tipos de comportamento de manada – como o “curtir” [ing. “like”] de Facebook.  Porque a marquinha “curtir” que se faz na célula do referendo não muda coisa alguma. O referendo foi ação necessária, mas não suficiente.
 
 
 
O quanto o Kremlin estava preparado para os eventos na Ucrânia e o quanto está tendo de improvisar, mesmo agora?
 
 
 
Aconselho que leiam o telegrama distribuído por WikiLeaks [1] – no qual se lê que o Kremlin já apontara claramente aos EUA em 2008 os cenários que se veem hoje em campo:
 
 
 
Wikileaks_logo.svg.png
Especialistas nos dizem que a Rússia está particularmente preocupada com as fortes divisões que se veem na Ucrânia sobre o país integrar-se ou não à OTAN, com grande parte da comunidade russo-étnica posicionada contra a integração, o que pode levar a divisão do país, o que implicará violência e, no pior dos casos, guerra civil. Naquele caso, a Rússia terá de decidir se intervirá ou não; e é decisão que a Rússia não deseja ter de encarar.
 
 
 
É lógico assumir, portanto, que esse desenvolvimento absolutamente não foi surpresa para o Kremlin, e que agora estamos num script ainda mais desagradável, mas com menos nuanças: alguma coisa equivalente a um “Plano E”.
 
 
 
Para compreender o que o Kremlin fará a seguir, fixemos alguns objetivos:
 
 
  • Não permitir que a Ucrânia seja incorporada à OTAN.
  • Não permitir o estabelecimento e a estabilização, na Ucrânia, de um regime russófobo (o que pressupõe a des-nazificação).
  • Não permitir o genocídio da população russa do sudeste.
 
Idealmente, é indispensável implementar simultaneamente os três objetivos, ao mesmo tempo em que, enquanto são implementados, a economia russa não quebre, no momento em que vai sendo reorientada para a Ásia; e é preciso, também ao mesmo tempo, impedir que os EUA façam avançar seus objetivos econômicos à custa da União Europeia.
 
 
 
Como se podem alcançar todas essas metas?
 
 
 
Consideremos o cenário mais simples, e vejamos quais são as vulnerabilidades e as consequências negativas:
 
 
 
— Suponhamos que o exército russo entre na Ucrânia e, alguns dias depois, chegue a Kiev; e que, na sequência, logo assuma o controle de toda a Ucrânia. “Patriotas” festejarão muito, haverá desfiles na Khreschatyk e coisa-e-tal.
 
 
 
— Parecerá que os três objetivos acima teriam sido alcançados, mas teriam simultaneamente emergido os seguintes problemas:
 
 
 
1. Na União Europeia, a elite empresarial europeia já pisou delicadamente no pé de seus políticos e meteu o pé nos freios em relação às sanções; e o “Partido da Guerra” (também chamado “Partido dos EUA” ou, melhor dito, “Partido da Pax Americana”) vence bem evidentemente. Contra a Federação Russa, o efeito máximo de sanções reais aconteceu contra as próprias economias europeias, que entram em recessão. Mas não é evento que gere júbilo.
 
 
 
San%C3%A7%C3%B5es+contra+a+R%C3%BAssia.j Cuidado com as minhas sanções!
Nesse contexto, os norte-americanos podem forçar a assinatura da versão norte-americana da “Parceria Trans-Atlântica para Comércio e Investimento” [orig. TTIP, Transatlantic Trade and Investment Partnership], pacto comercial, que converte a União Europeia em apêndice da economia dos EUA.
 
 
 
Nesse momento, as negociações daquele tratado estão em andamento e, para os EUA, a entrada de tropas russas na Ucrânia seria presente caído dos céus.
 
 
 
Sanções contra a Rússia destruiriam negócios europeus, e barreiras comerciais e de negócios contra os EUA completariam o serviço. No final, teríamos o quê? A União Europeia em estado semelhante a um pós-guerra; os EUA em festa e uniforme de gala, absorvendo mercados europeus nos quais não teriam concorrentes, nem agora, nem em curto prazo; a Federação Russa em situação que deixaria a desejar, longe da sua melhor forma. Alguém ainda não percebeu que, nesse contexto hipotético, o bobo da roda absolutamente não são os EUA?
 
 
 
Aliás, nem é preciso levar em consideração os argumentos de que os políticos europeus “não cometeriam” suicídio econômico. Os euroburocratas são capazes, sim, de cometer qualquer coisa, isso e coisa pior que isso, como a prática mostra.
 
 
 
2. À parte o fato de que o Kremlin estaria prestando um serviço a Washington, é preciso considerar o que aconteceria à própria Rússia.
 
 
 
• Se as sanções tivessem incapacitado a Rússia antes de ser assinado o megacontrato de 30 anos com a China, nesse caso a China estaria em condições de negociar a partir de uma posição de força. De fato, estaria em posição ideal para fazer chantagem (o que se observa mesmo assim no comportamento da China, embora não claramente).
 
 
 
• Se as sanções tivessem incapacitado a Rússia antes de ser assinado o megacontrato de petróleo com o Irã, mediante o qual a russa Rosneft controlará 500 mil barris adicionais de petróleo por dia, o Irã estaria em condições de negociar a partir de uma posição de força.
 
 
 
• Todas as tentativas subsequentes de construir qualquer coisa, até receber as importações de que os russos precisamos agora, nos custariam muito, muito caro.
 
 
 
• Se as sanções tivessem incapacitado a Rússia antes da assinatura do acordo que cria a Comunidade Econômica Eurasiana, avaliem o trunfo com que contariam Lukashenko e Nazarbayev, para torcer o braço de Putin nas negociações. Um pouco mais disso, e Moscou, para criar a Comunidade Econômica Eurasiana, teria de pagar pelo próprio petróleo!
 
 
 
San%C3%A7%C3%B5es+contra+a+R%C3%BAssia-a Ashton (UE): "Sanções contra a Rússia"
Putin: "Agito das Bucetas!" 
3. A Federação Russa teria de assumir total responsabilidade pela restauração da economia ucraniana e pela des-nazificação: e onde encontrar número suficiente de “des-nazificadores” (...[2]) para lutar contra grupos compactos de nazistas ucranianos, que terão apoio e suprimentos vindos do exterior?! Tudo isso somado, é claro que esse cenário muito beneficia os EUA e a China.
 
 
 
Caberiam à Rússia: uma sensação profunda de satisfação moral, problemas econômicos a resolver e anos de amaldiçoamentos futuros, que virão dos “generosos” (щирых) ucranianos, infelizes com “a vida sob ocupação”.
 
 
 
Quais os pontos vulneráveis da Rússia, no tempo?
 
 
  1. Contrato de gás com a China (maio-junho) (assinado dia 21/5/2014!)
  1. Contrato de petróleo com o Irã no verão (por isso os EUA levantaram o embargo, com a Rosneft muito intimamente conectada à British Petroleum, e nem tanto à Exxon Mobil. E para onde flui o petróleo? Para a China).
  1. Importante! Eleições para o Parlamento Europeu, que dará muitos votos a eurocéticos aliados da Rússia. Depois da eleição, reunir-se-á uma Comissão Europeia de composição muito diferente, com a qual será mais fácil trabalhar (eleições marcadas para 25 de maio). E ainda mais importante: depois do contrato de gás assinado com a China, será mais fácil empurrar a favor do [oleogasoduto] South Stream (Ramo Sul), os deputados recém eleitos.
  1. Coleta de todos os documentos/autorizações/licenças/etc. para a construção do [oleogasoduto] South Stream (Ramo Sul) – em maio/2014. 
 
South+stream+pipeline+project.jpg Oleogasoduto South Stream  (em azul)
Isso é o que se pode ver a olho nu, mas há outros aspectos muito importantes, os quais, contudo, são difíceis de distribuir claramente em cronograma:
 
 
 
1.      Transição para pagamentos em rublos, por energia. Petróleo e gás não são sacos de batatas: o fornecimento depende de contratos de longo prazo e que não podem ser alterados unilateralmente, e exigem muito trabalho cada vez que têm de ser substituídos, ou, mesmo, apenas alterados.
 
 
 
2.     Transição para cotar preços em rublos, por energia (para negócios em rublos) nos mercados russos – é trabalho absolutamente enlouquecedor, além de ser muito, muito trabalho, por várias razões, uma das quais é que é trabalho que jamais foi feito antes, nem esse nem algum trabalho semelhante a esse.
 
 
 
3.     Um sistema próprio de pagamentos.
 
 
 
4.     Preparação para substituição de importações ou melhora do trabalho que fazemos  com fornecedores asiáticos (mas não é ação em contexto de emergência).
 
 
 
Essa lista prossegue. Até aí só o que consigo ver, e o Kremlin tem horizontes muito mais amplos.
 
 
 
Acrescentem-se aí interessantes iniciativas do Ministério de Relações Exteriores, que não está sentado ocioso, de braços cruzados.
 
 
 
Grigory+Karasin.jpg Grigory Karasin
Por exemplo, o vice-ministro [de Relações Exteriores] Karasin esteve em Doha dia 6 de maio, em reunião com a elite qatari. Os resultados desse encontro, em minha opinião, são grande, enorme, surpresa. Segundo o Ministério de Relações Exteriores, o emir do Qatar declarou que muito aprecia a “política regional convincente e coerente da Federação Russa” – o que é altamente surpreendente, em país que não apenas é aliado dos EUA e braço político da Exxon Mobil no Oriente Médio como, também, é 100% adversário da Federação Russa na Síria.
 
 
 
Mas fato é que a caixa afinal foi aberta: os sonhos dos EUA de inundar o mundo com gás barato são sentença de morte para os sonhos de riqueza infinita do Qatar e sua elite. Sem preços ultra-altos para o gás, o Qatar não apenas perde qualquer esperança de grandeza regional, mas vira, ele próprio, cadáver. Doha reorienta-se rapidamente e já está oferecendo proposta que interessa: “Ao mesmo tempo [o emir do Qatar] enfatizou a importância de acelerar a coordenação do Fórum de Países Exportadores de Gás [orig. Forum of Gas Exporting Countries (GECF)” – cuja próxima reunião de cúpula acontecerá (que coincidência!) no Qatar.
 
 
 
Fórum de Países Exportadores de Gás é organização que inclui Rússia, Irã, Qatar, Venezuela, Bolívia e outros exportadores, e que o Kremlin, por muito tempo, mas sem sucesso, tentou converter em entidade “do gás”, análoga à OPEP. Talvez tenha chegado afinal a hora certa para um potencial cartel de gás. Para começar, os três maiores exportadores: Rússia, Qatar e Irã têm agora interesses muito assemelhados e devem conseguir trabalhar juntos para assumir partilhar e o mercado e os dutos do gás natural liquefeito. Esse cartel de gás, ainda que em formato reduzido (só com Federação Russa, Qatar, Irã) controlará no mínimo 55% das maiores reservas mundiais de gás e terá oportunidades significativas para influenciar fortemente os mercados de energia da União Europeia e Ásia.
 
 
 
É claro que tal projeto envolverá muitos problemas e enfrentará oposição, não há qualquer garantia de que venha a funcionar. Mas é importante ver que Moscou trabalha ativamente à procura de oportunidades das quais obtenha mais vantagens estratégicas na luta contra os EUA.
 
 
 
Espera-se que agora já esteja bem claro os itens aos quais o Kremlin está dedicando mais empenho – o que está tentando obter da situação ucraniana, e por que são itens que interessam.
 
 
 
Voltemos aos problemas diretamente relacionados à Ucrânia, para constatar que nem a implementação de todos os projetos importantes de política exterior ajudará na des-nazificação de Kiev ou fará com que tropas russas ou o exército rebelde de Novorossia sejam bem recebidos sequer na região central. Se o exército de Novorossia já tem problemas com mobilizar combatentes em Lugansk e Donetsk, trabalhar nas regiões zumbificadas será muito, muito difícil.
 
 
 
Mesmo assim, parece que, para combater ao lado da Federação Russa, logo aparecerão o “Coronel Fome” e as “Forças Especiais da Hiperinflação” – que mudarão dramaticamente o equilíbrio do poder.
 
 
 
A economia ucraniana está acabada. Dada a semeadura desastrosa da primavera, as colheitas de legumes destruídas (congeladas), a falta de crédito, problemas com o gás, o salto no preço dos combustíveis, pode-se dizer com segurança que a economia virá como a besta do norte, com toda a força e toda a fúria. Ninguém dará dinheiro à Junta de Kiev, nem o FMI, que prometeu algo em torno de US$17 bilhões (exatamente 50% do que a Ucrânia necessita para esse ano), mas incluiu no contrato uma “cláusula de escape”: se Kiev não controlar as regiões, Kiev não receberá um centavo. Fome, frio e hiperinflação (causada pelo colapso da hryvnia [moeda ucraniana], operarão ativamente para debilitar a Junta de Kiev corrigir a mente dos “generosos” [shchirykh] ucranianos: não passarão a amar a Rússia, mas verão que é fatalmente necessária. E também fatalmente começarão a recordar os tempos de Yanukovich como uma doce era de sonho já hoje inalcançável [por ação da Junta de Kiev].
 
 
 
O caos inevitável e o total colapso das estruturas sociais, combinados à guerra de baixa intensidade, asseguram que a OTAN não aceitará a Ucrânia, uma vez que a Europa, então, já estará “nos trilhos” e nem os políticos medianamente moderados dos EUA farão movimento algum, o que obviamente não levaria a nenhuma vitória norte-americana e só faria arrastar o país para uma guerra atômica.
 
 
 
Além do mais, no contexto de total colapso econômico, para os mineiros, os trabalhadores metalúrgicos e outros camaradas que estão hoje firmemente agarrados aos empregos, por medo de perdê-los e na esperança de “conseguir sobreviver e manter-se sempre (à beira do precipício, mas, pelo menos, não no fundo do precipício)”, já não haverá sequer essa possibilidade. Terão de participar de uma forma ou outra, nos problemas políticos e econômicos da Nova Rússia. E provavelmente terão de participar também em armas.
 
 
 
Ao mesmo tempo, Poroshenko-nomeado-pela-Junta de Kiev, imposto (ao país) pela União Europeia, terá forte incentivo para fazer concessões, para conseguir negociar com Moscou. A nova Comissão Europeia, que precisa de paz no leste e de trânsito estável para o gás, estará empurrando Poroshenko nessa direção.
 
 
 
Piotr+Poroshenko-3-comemora+vit%C3%B3ria Petro Poroshenko em seu discurso da vitória
Poroshenko também será empurrado nessa mesma direção por levantes da sociedades causados pelo Coronel Fome e por Hiperinflação, o Sabotador.
 
 
 
Todos esses fatores, em resumo, abrem grandes oportunidades para o Kremlin reformatar a ex-Ucrânia em algo apropriado aos interesses da Federação Russa. Esse é precisamente o cenário que os EUA tentam evitar; e é por isso que os EUA têm sérias razões para acelerar a translação do conflito para fase “mais quente”, com uso de tropas e derramamento massivo de sangue.
 
 
 
Se se somam o tempo necessário para que a Fome aja, e o tempo necessário para resolver problemas de política externa em termos de estabelecer o trabalho com China, Irã, sair do dólar, substituição de importações, etc. (em termos calculados muito em geral), pode chegar à conclusão de que se precisa de algo bem próximo de 5-9 meses (o que nos leva àquele mesmo dezembro pelo qual Yanukovich tentou negociar) para oferecer soluções à questão ucraniana e outras, de modo a obter vantagem máxima para a Rússia.
 
 
 
Durante esse período, é preciso que se preserve a Ucrânia, no mínimo, num estado de guerra civil (i.e., apoio aos partidos da Nova Rússia, mas não é necessário tomar Kiev depressa demais de modo a não criar problemas adicionais desnecessários) e idealmente, combinado com a guerra civil, negociações prolongadas, enroladas, dentro da Ucrânia, com a participação de observadores internacionais, algo semelhante ao formato 2 +4, quer dizer: Poroshenko + Tsarev + Rússia, União Europeia, OSCE, EUA.
 
 
 
E o toque final. Em meses recentes, os EUA seguraram a rédea de sua prensa de imprimir dinheiro, reduzindo a impressão de papel-dinheiro, de 85 para 55 bilhões de dólares por mês. Muitos e muitos esperam, que a máquina seja completamente desligada até o final desse ano. – Outra vez, o mesmo próximo mês de dezembro. – Isso é impossível, porque o dólar, dado que é a principal moeda internacional, não pode ser impresso indefinidamente.
 
 
 
dollar_money_printing_toilet_paper.png Imprimindo tantos DÓLARES que logo só vão servir pra limpar seu traseiro
Segundo várias estimativas, os EUA já usaram quase completamente o “recurso força” do dólar, o que lhes permitiu fazer o diabo com a máquina (financeira). Além do mais, corolário e efeito inevitável desses truques é a redução de juros sobre os papéis dos EUA, o que, por um lado, ajuda Washington a pagar menos por suas dívidas, mas, por outro lado, está destruindo todo o sistema de aposentadorias dos EUA e o sistema de seguros, construído sobre a expectativa de retornos muito diferentes dos seus portfólios.
 
 
 
Em termos muito gerais, é o mesmo que dizer que, à altura do final do ano, os EUA poderão escolher entre explodir o sistema de assistência social para manter a máquina de imprimir dinheiro, ou reduzir enormemente o apetite dos que vivem de imprimir dinheiro, para preservar alguma chance de estabilidade em casa.
 
 
 
A julgar pela redução da quantidade de dólares que está sendo jogada dentro do sistema, Washington decidiu que impedir uma explosão é mais importante que suas ambições de política externa.
 
 
 
Agora, para completar o quebra-cabeças, aqui vão nossas previsões:
 
 
  1. Os EUA tentarão por todos os meios agravar a crise na Ucrânia, para enfraquecer a Rússia e pôr todo o mercado europeu sob seu “controle”, antes de ter de parar as máquinas que imprimem dinheiro.
  2. O Kremlin tentará traduzir a crise na Ucrânia, da forma aguda para a fase crônica (guerra civil, mais negociações arrastadas, em pleno colapso econômico da Ucrânia). Ao mesmo tempo, o Kremlin usará o tempo para criar condições favoráveis para a transição para a confrontação aguda com os EUA – o trabalho de separar-se do dólar com China, Irã, Qatar, criação da Comunidade Econômica Eurasiana, etc..
  3. Fim total da crise em dezembro de 2014, possivelmente antes, se os EUA desistirem de tentar exacerbar as hostilidades.
  4. E se os EUA não desistirem? – Nesse caso... uma grande, grande guerra... guerra por recursos, porque, como já se sabe, o tal “boom” do gás de xisto/fracking não passava de bolha, das mais ordinárias.
 
Notas dos tradutores
 
 
 
[1] Telegrama assinado pelo Emb. William J. Burns dos EUA e intitulado “ ‘Não’ é ‘não’: os russos não admitirão nenhum movimento de ampliação das linhas vermelhas da OTAN” – datado de 1/2/2008 (ing.).
 
 
[2] Trecho cujo significado metafórico não conseguimos decifrar: [where to get the needed number of “denazifiers”] in “dusty helmets” (if anyone has forgotten, according to Okudzhava, it was the commissars in dusty helmets that bent over the dead hero of the Civil War)”.
 

[3] Original. em russo, recomendado e traduzido ao inglês em The Vineyard of the Saker, 1/6/2014. Aqui se traduziu a versão em inglês. Todas as correções e traduções complementares colaborativas – sobretudo de leitores de russo que tenham acesso ao texto original – são bem-vindas.
 

Postado por Castor Filho às 23:47:00


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#2 macaense

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Posted 02 June 2014 - 11:14 AM

The original text of this article is in Russian.

 

http://vineyardsaker...article-of.html

 

 

Translation of the "must read" article of worldcrisis.ru explaining why there is no Russian intervention in the Ukraine
 

It is with an immense and heartfelt THANK YOU! to "BM" for his translation that I have the real privilege to share with you this translation into English of the excellent article of worldcrisis.ru I mentioned in my previous post.  This is, in my opinion, the most complete and well-written analysis of the apparent Russian "passivity" and we all owe "BM" a big debt of gratitude for making it available to us on such short notice.  I especially encourage you all to circulate this translation as it is by far the best explanation of the Kremlin's policy.

The Saker

PS: I was also sent a link to this article http://sovietoutpost...disk.org/?p=127 with an interesting description of the condition of the Ukrainian army.  Also a must read imho.
-------
Why there is no Russian military intervention in the Ukraine



Posted on worldcrisis.ru 30 Май 22:19 
опубликовал Сухов боец красной армии [suho]

 
The level of analytical discussions on the Russian Internet is perfectly described by the political scientist Simon Uralov: "To consider that the Ukrainian crisis set off only the minds of the Kievan colleagues and turned them all into bloodthirsty hysterics is fundamentally mistaken. Among the Moscow colleagues there is also an incredible number of such." The purpose of this material is to take a step back from the hysteria and coldly analyze the situation in Ukraine. 
 

I'll start with the necessary clarifications on several emotionally important topics: 

Why is there no Russian military intervention? 

If this text was written a few days earlier, a significant part of it would had to have been devote to explaining why sending troops to Ukraine was inappropriate and just plain stupid even after the referendum. Fortunately, the head of the resistance ibn Slaviansk, Igor Strelkov, coped with this task better than I: in his video message, he very clearly described the inertness of the local population of Lugansk and Donetsk in terms of real action to protect their interests against the junta. Anticipating the arguments about the referendum, I hasten to say that a check mark on the ballot is certainly cool, but not much different from any hipster-white-ribboned (belolentochnyh) attempts "carry mode" – the “like” on Facebook. Because a "like" handle made ​​in the bulletin doesn’t change anything. The referendum was a necessary but not sufficient action. 

How much was the Kremlin prepared for events in Ukraine and how much does it improvise even now? 

I advise you to read the telegram's Wikileaks: https://wikileaks.org/plusd/cables/08MOSCOW265_a.html , in which it is shown that Kremlin clearly pointed out to the Americans in 2008 the scenarios that we see today: "Experts tell us that Russia is particularly worried that the strong divisions in Ukraine over NATO membership, with much of the ethnic-Russian community against membership, could lead to a major split, involving violence or at worst, civil war. In that eventuality, Russia would have to decide whether to intervene; a decision Russia does not want to have to face." 

It is logical to assume that such a development for the Kremlin was not a surprise and that we are now in even more unpleasant but less nuanced script that something like "Plan E". 

In order to understand what the Kremlin will do next, let’s formulate objectives: 

- Do not allow the entry of Ukraine into NATO. 

- Do not allow the establishment and stabilization in Ukraine of a Russophobic regime, which assumes denazification. 

- Do not allow the genocide of Russian South-East population. 

Ideally this requires implementation of all three objectives while, in that interval, not breaking the Russian economy during its reorientation toward Asia and, at the same time, preventing the Americans from pulling off their economic ends at the expense of the EU.

How can these goals be realized? 

Let us consider the simplest scenario and see what are the vulnerabilities and negative consequences: 

So, the Russian army enters Ukraine and a few days later comes to Kiev, then captures all of Ukraine. "Patriots" are jubilant, there are parades on the Khreschatyk, etc.

It seems that all three goals have been achieved, but the following problems emerge: 

1. In the EU, where the European business elite has slowly pressed on the feet of their politicians and stamped on the brakes with regard to sanctions, the "war party" (a/k/a "The Party of the United States", or rather "Party Pax Americana») clearly triumphs. Against the Russian Federation, the maximum of real sanctions cut in with terrifying effect principally for the European economy themselves, which immediately falls into a recession. But nothing to rejoice about. 

Against this background, the Americans easily force the signing of their version of the Transatlantic Trade and Investment Partnership, a trade pact, which turns the EU into an appendage of the U.S. economy. Negotiations about the treaty are going on right now and, for the Americans, the entry of Russian troops in Ukraine would be a huge gift. Sanctions against Russia would destroy European business and trade barriers with the U.S. would finish it. What we have at the end: EU in a state as if after a war; the United States, all in white, joyfully absorbing European markets on which they have not and will not have competitors; the Russian Federation - not in the best shape. Does it seem to anyone that someone in this situation is the fool (лох), and that that someone is clearly not the U.S.? By the way, it is not necessary to take into account the arguments to the effect that European politicians would not allow economic suicide. Euro-bureaucrats are not capable even of this, as practice shows.

2. Besides the fact that the Kremlin will render a service to Washington, we need to look at what will happen to Russia itself. 

• If the sanctions cut against Russia before the gas mega-contract for 30 years with China is signed, then China will be able to negotiate a price from a position of strength. In fact, from a position of blackmail (This shows in China’s comportment, however, but not clearly). 

• If the sanctions are imposed against Russia before the oil mega-contract with Iran is initialled, through which Rosneft will be able to control an additional 500,000 barrels of oil per day, Iran will be able to negotiate a price froma position of strength. 

• All subsequent attempts to build something up even to the delivery of imports we need now, will be very, very expensive.

• If sanctions cut in before the signing of the agreement on the establishment of the Eurasian Economic Community, imagine what trumps Lukashenko and Nazarbayev will have to twist Putin’s arms at negotiations. A little more of this, and Moscow, in order to create the EurAsEC, will have to pay for its oil. 

3. The Russian Federation would have to assume the responsibility for the restoration of the Ukrainian economy and denazification: where to get the needed number of “denazifiers” in “dusty helmets” (if anyone has forgotten, according to Okudzhava, it was the commissars in dusty helmets that bent over the dead hero of the Civil War) to fight compact groups of Ukrainian Nazis, which will enjoy support and supply from abroad. On aggregate, it is clear that this scenario greatly benefits the United States and China. Russia remains a deep sense of moral satisfaction, economic issues and future curses of the “generous” (щирых) Ukrainians who are unhappy with "life under occupation." 




How are the key points in time our vulnerabilities laid out? 

1. Gas contract with China - May-June (May 21 signed!) 

2. Oil contract with Iran in summer (That's why the U.S. lifted the embargo, as Rosneft is very tightly seated under BP and not very under Exxon Mobil. Where does the oil flows? To China). 

3. Important! Elections to the European Parliament, which will get a lot of votes Eurosceptic allies of Russia. After the election, will be assembled Evrokommissii different composition which will be much easier to work with - May 25. Even more important! Gas contract signed with China, newly elected deputies will be more amenable to South Stream. 

4. Collection of all relevant documents/permits/etc., for construction of South Stream - May. 

This is what is visible to the naked eye, but there are other aspects that are very important, but which are difficult to place clearly on a timetable: 

1. Transition to settlements in rubles for energy. Oil and gas are not potatoes: they (are provided under) long-term contracts that cannot be altered unilaterally but require lengthy work to replace them with new ones, plus the change in current ones. 

2. Transition to quoting prices in rubles for energy (for trading in rubles) on the Russian markets - it is absolutely hellish work though, if only because up until now no one has ever done anything like it. 

3. Own payment system 

4. Preparation of import substitution or improvement of our work with Asian suppliers (not in emergency mode).

The list can and should continue, that's what I see, and the Kremlin is much broader horizons. 

Now add interesting initiatives of the Russian Foreign Ministry, which is not sitting idly by with its hands folded. For example, Vice Minister Karasin was in Doha on May 6 and met with all the Qatari elite. The results, in my opinion, turned out to be shocking. According to the Foreign Ministry, the Qatari emir said that he appreciates the "convincing and coherent regional policy of the Russian Federation", which is very unexpected for a country that is not just a U.S. ally and the political branch of Exxon Mobil in the Middle East and a 100% opponent of the Russian Federation in Syria. But the casket (ларчик) has simply opened: the fact is that American dreams of filling the whole world with cheap gas are a death sentence for Qatar and its elite. Without ultra-high gas prices, Qatar does not just lose any hope for regional greatness, but becomes a corpse. Doha focuses quickly and begins to offer something of interest: "At the same time, emphasis was placed on accelerating the coordination of the Forum of Gas Exporting Countries (GECF)", the next summit of which (that's a coincidence!) will be held in Qatar. The Forum of Gas Exporting Countries is an organization which includes countries such as Russia, Iran, Qatar, Venezuela, Bolivia and other exporters, and which the Kremlin, for a long time but without success, the Kremlin tried to turn into the gas analogue of OPEC. It is possible that now is the right hour for a potential gas cartel. First, the three major gas exporter: Russia, Qatar and Iran have very similar interests and should be able to work on the same side in order to share and "take over the gills" of the LNG market and pipeline gas market. Such a gas cartel, even in a reduced format (only the Russian Federation, Qatar, Iran) will control at least 55% of the world's gas reserves and have significant opportunities to strongly influence the energy markets of the EU and Asia. Of course, such a project would involve a lot of problems and it will meet opposition, no one gives a guarantee that everything will work, but it is important to see that Moscow is actively seeking opportunities for more strategic advantages in the fight against the United States.

Hopefully it is now clear on what the Kremlin is spending time, which it is trying to win out of the Ukrainian situation, and why it matters. 

Let’s return to problems directly related to Ukraine and note that even the implementation of all the important foreign policy projects will not help in carrying out the denazification of Kiev and make it so that Russian troops or rebel army of Novorossia would by greeted with bread and salt even in the central region. If the army of Novorossia has problems with mobilization in Lugansk and Donetsk, then work within the zombified regions will be very, very difficult. However, it seems that on the side of the Russian Federation on the field of battle will soon appear Colonel Hunger and the Special Forces Giperok ("Hyperinflation"), which will dramatically change the balance of power. 

The Ukrainian economy is finished. Given the disastrous spring sowings, the crops of vegetables destroyed (frozen), lack of credit, problems with gas, the jump in fuel prices, we can safely say that the economy will come as a northern beast, which will be full and fluffy. No one will give money to the junta, not even from the IMF, which promised something around $17 billion (exactly 50% of what Ukraine needs for this year), but built into the contract an "escape clause": if Kiev does not control all the regions, then Kiev is not to receive a cent. Hunger, cold and hyperinflation (caused by the collapse of the hryvnia) will actively work to weaken the junta and correct the minds of the “generous” (shchirykh) Ukrainians: they will surely not come to love Russia, but this is hardly necessary. It is necessary that they begin to remember the Yanukovych period as sweet, unattainable dream. The inevitable chaos and total collapse of social structures, coupled with low intensity civil war guarantees that NATO will not accept Ukraine since Europe will then itself "be on the rails", and even in the U.S., more or less moderate politicians will not make a move, which obviously would not lead to U.S. victory, but to the dragging of the country into a nuclear war. 

Moreover, in the context of total economic collapse, for the miners, metal workers and other comrades who are now firmly glued to their jobs for fear of losing them and hoping to "ride it all in their huts on the edge (of the precipice)", there will no longer be such a possibility. They will have to participate in one form or another, in the political and economic problems of New Russia. And likely they will have to participate in arms.

At the same time, the-junta-named-Poroshenko, foisted (on the country) by the European Union, will have a strong incentive to negotiate with Moscow to make concessions, to offer compromises. Already, the new European Commission, which needs peace in the east and stable gas transit, will be pushing Poroshenko in this direction. Poroshenko will also be pushed in the same direction by social upheavals caused by Colonel Hunger and Hyperinflation the Saboteur.

All these factors, in sum, open up great opportunities for the Kremlin to reformat the former Ukraine into something appropriate to the interests of the Russian Federation. It is precisely this scenario that the United States is attempting to avoid, and it is because of this that the United States has serious reasons to accelerate the translation of the conflict into a hot phase with the use of troops and massive bloodshed. 

If you add up the time that is needed for the action of Hunger and the time required to resolve foreign policy problems in terms of establishing work with China, Iran, untethering from the dollar, import substitution, etc. (very roughly) can come to the conclusion that you need somewhere 5-9 months (that same December, for which Yanukovych tried to negotiate) to provide solutions to Ukrainian and other issues to the maximum advantage of Russia. During this period, you must provide at least for the preservation of Ukraine in a state of civil war (i.e., support for the DNR, LNR, but it is not necessary to take Kiev too fast in order not to create unnecessary additional problems) and ideally, combined with the civil war, prolonged and sticky negotiations within Ukraine, with the participation of international observers, something like 2 +4 format, i.e., Poroshenko + Tsarev + Russia, EU, ​​OSCE, USA. 

The final touch. In recent months, the U.S. has slowed down the work of its printing press, reducing the "pump-priming" (this especially simplifies the formulation) from 85 to 55 billion dollars a month. Very many expect (e.g. http://www.reuters.com/article/2014/04/27/us-usa-fed-idUSBREA3Q08920140427), that the machine will turn off completely by the end of this year. Again, in that same December. This is due to the fact that the dollar, though it is the main international currency, cannot be printed endlessly - it is impossible. According to various estimates, the United States has almost entirely used up the "resource strength" of the dollar, which allowed them to do the naughty with the (financial) machine. Moreover, the corollary and inevitable effect of such tricks is reducing rates on U.S. bonds, which, on the one hand, helps Washington to pay less for its debts, but, on the other hand, is actually choking the entire U.S. pension and insurance system that is built on the expectation of very different returns from their portfolios bonds. Roughly speaking, by the end of the year, the U.S. will have a choice between to blowing up their social system in order to keep on printing, or greatly reducing their appetites in order to preserve any chance of stability at home. Judging by the reduction in the amount of dollars being thrown into the system, Washington has decided that preventing an explosion is more important than its foreign policy ambitions. 

Now to complete the puzzle finally, let’s make our predictions: 

- America will try by all means to aggravate the crisis in Ukraine, in order to weaken Russia and put the whole European market under its sway before it needs to shut down its printing presses. 

- The Kremlin will try to translate the crisis in Ukraine from the acute to the chronic phase - civil war plus sluggish negotiations amid the economic collapse of Ukraine. At the same time, the Kremlin will use the time to create favorable conditions for the transition to the sharp confrontation with the United States - from the work on untethering from the dollar with China, Iran, Qatar, creating the EEC etc. 

- Complete end to the crisis in December 2014, possibly earlier if U.S. desists from trying to exacerbate the hostilities. 

- And if it does not desist? - Then ... a big war ... a war for resources, because shale "boom" was an ordinary bubble. 

On this subject in detail in the article by William Engdahl "Washington shale boom - bust". Original Washington's Shale Boom Going Bust http://journal-neo.org/2014/05/12/washington-s-shale-boom-going-bust/

END


Edited by macaense, 02 June 2014 - 11:17 AM.

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