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EU SOU TODOS OS CHARLIES - Janeiro de 2015 <posted by macaense>


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#1 macaense

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Posted 14 January 2015 - 09:18 PM

EU SOU TODOS OS CHARLIES

 

http://www.resistir....o_s_novais.html

 

 
 
resistir.info is a portuguese web site of political analysis
 
resistir.info

 


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#2 macaense

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Posted 14 January 2015 - 09:19 PM

Eu sou todos os Charlies

 

 

por Soares Novais [*]

je_suis_charlie.jpg Eu sou Charlie;

Eu sou todos os Charlies;

Eu sou cada um dos 360 jornalistas e outros trabalhadores que a Controlinveste e o Belmiro despediram no Diário de Notícias, no Jornal de Notícias, na TSF, na Notícias Magazine, no 24 Horas e no Público;

Eu sou a senhora Ana que, aos 84 anos, é um dos mil sem-abrigo que vivem nas ruas de Lisboa;

Eu sou o tradutor checo, que passa os dias na biblioteca e a quem pela calada da noite roubam os livros na casa que habita numa das artérias da Capital [NR] ;

Eu sou todas as operárias e operários que viram as suas vidas desfeitas por capitalistas sem coração e sem pátria;

Eu sou a puta que, para alimentar os filhos, se vende na berma da estrada;

Eu sou cada um dos milhares de desempregados que faz fila nos chamados Centros de Emprego;

Eu sou cada um dos pensionistas e reformados a quem pagam 200 euros depois de uma vida inteira de trabalho;

Eu sou cada um dos emigrantes, brancos e pretos, a quem obrigam a trabalhar de sol a sol por um salário de merda;

Eu sou cada um dos milhares de jovens licenciados a quem um imbecil, travestido de governante, mandou emigrar;

Eu sou cada um dos pescadores a quem a União Europeia proíbe de pescar sardinha, condenando-os à fome;

Eu sou cada um dos pequenos e médios agricultores a quem a grande distribuição condena a dar aquilo que produzem;

Eu sou cada um dos pequenos e médios produtores de leite a quem os hipermerceeiros esmagam;

Eu sou cada uma das mulheres e homens vítimas de violência doméstica;

Eu sou cada um daquelas velhas e velhos que abandonamos;
 
Eu sou a criança que morre nos braços,  leves, ressequidos, famintos. da mãe;

Eu sou cada um daqueles que nos últimos dias morreram por falta de assistência médica nos ... hospitais;

Eu sou um dos milhares de trabalhadores a quem o Estado penhorou o salário por uma dívida de 1 euro;

Eu sou cada uma das milhares de crianças refugiadas e que a essa condição foram condenadas pelos poderosos do mundo;

Eu sou cada um dos palestinianos que atira pedras contra o muro que há na Faixa de Gaza;

Eu sou cada um dos negros que a polícia norte-americana mata nas ruas;

Eu sou cada um dos milhares de sem-terra que no Brasil lutam por uma vida digna;

Eu sou cada um dos milhares de africanos mortos pelos vírus de ébola e a quem virámos as costas por isso ser doença de pretos;

Eu sou cada um dos milhões de pessoas a quem violência de Estado, tão má e criminosa quanto a violência religiosa, quer enterrar  vivos.

Eu sou Charlie.

Eu sou todos os Charlies.

[NR] Referência a reportagem passada na TVI 24.   O dito tradutor é apoiado pela equipa de rua da Junta de Freguesia de Arroios.   Segundo ele, com "o fim do comunismo" deixou de ter emprego como professor e tradutor e arribou a Lisboa – onde não encontrou melhor sorte.   Passa os dias na Biblioteca Nacional e dorme na rua.   Ali, segundo disse, roubam-lhe os livros e a comida que lhe dão.

[*] Jornalista e escritor, searadeletras@sapo.pt

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .


Edited by macaense, 15 January 2015 - 12:41 AM.

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#3 macaense

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Posted 15 January 2015 - 01:53 AM

Parabéns Soares Novais !  Parece uma homenagem à Charlie Chaplin !

 

http://engforum.prav...um-em-portugus/


Edited by macaense, 15 January 2015 - 01:58 AM.

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#4 macaense

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Posted 16 January 2015 - 11:23 AM

PRAÇA DA REVOLTA – “40 anos depois do 25 de Abril – Preservativo económico aprisiona jornalistas “– por Soares Novais*

revolta11.jpg?w=710&h=469

Trago hoje um convidado, como tenho feito anteriormente e como aliás faz parte do conceito da rubrica – publicar textos meus ou textos de amigos com cujo teor concordo. Soares Novais é um nome prestigiado no meio jornalístico. Vejamos – nasceu no Porto em 1954. Escritor e jornalista, foi dirigente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) e da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP). Publicou o romance “Português Suave”-. É um dos autores portugueses com obra publicada na colecção “Livro na Rua”, editada pela Editora Thesaurus, de Brasília. Tem textos publicados no Resistir.info e em diversos sítios da América Latina e do País Basco. Assina a crónica “Farpas e Cafunés” na revista digital brasileira “Nós Fora dos Eixos”. Virá mais vezes visitar-nos.  Hoje os censores não são coronéis. Não usam lápis vermelho ou lápis azul. Usam fatos caros, perfume de marca, palavras suaves e dão palmadinhas nas costas dos jornalistas, que são cada vez mais trabalhadores precários e mal pagos. 39 anos depois do 25 de Abril a censura e a autocensura é feita através de um apertado preservativo económico que impõe o PU (Pensamento Único).  “25/4/74 (00,25. Hora dos Capitães). Os jornais que ainda mandaram provas à CENSURA – quando tocaram à campainha – os “coronéis” tinham desertado dos seus postos. Horas antes tinham-se debruçado (preocupadamente) sobre a reunião dos bispos em Fátima, sobre uma bomba fictícia no BPA e sobre as 44 horas da semana dos caixeiros. Escaparam-lhes as reuniões e blindados da nova geração militar.”  Esclarece César Príncipe em “Os Segredos da Censura” – obra várias vezes reeditada e de leitura obrigatória para que se saiba que “a Censura/Exame Prévio foi uma organização policial criminosa encarregada de atirar a matar contra todas as construções sintácticas que se desviassem da gramática do regime, um regime de ricos metais e atrasados mentais», como aquele jornalista e escritor, sem dúvida um dos melhores de nós, afirma no prefácio à terceira edição da obra. A Censura era o preservativo do regime fascista. Por isso os jornais estavam impedidos de parir notícias onde se referissem surtos de cólera, suicídios, barracas, aumento de preços, guerra, drogas, gripes, fome, greves, fraudes e infedilidades conjugais. Racismo. O país tinha um Pai – que alguns ainda há bem pouco elegeram como o grande português – que não viajava, não adoecia, não sofria acidentes de viação; e alguns santuários, onde se zelava e zela para que o povo não saia dos caminhos das troikas. Isto é: para os coronéis e os “doutores” censores o país real não existia. Mesmo que muitos dos seus cortes de lápis azul (a Norte) e de lápis vermelho (a Sul) nos façam hoje sorrir. Eis dois exemplos retirados do já citado livro de César Príncipe:  “13/3/72 (22,50). “Espancou a mulher e bateu nos polícias – CORTAR o bateu nos polícias”. Ordenou o Coronel Garcia da Silva, um dos esclarecidos censores, que, como a aqui se vê, não ficou nada preocupado com o espancamento da senhora. “2/12/72 (23,30). «Reunião de merceeiros em Gaia. Pode ser publicada notícia. Mas é CORTADA uma parte das afirmações de um interveniente: “Os supermercados são considerados de interesse público e nós seremos ladrões? É assunto para CORTAR”. Ordenou um tal dr. Ornelas que, espertalhaço, já então percebeu que o país não tardaria a ficar nas mãos dos hipermerceeiros como acontece hoje. O ópio das multidões A Informação que hoje nos servem é assim a modos como o novo ópio. E é, também, em boa medida, uma Informação censurada e autocensurada. Pelos interesses políticos de quem manda e pelos interesses económicos que serve. (Isto apesar de um assessor de longa data do professor Cavaco ter lamentado, ainda recentemente, que “uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar”). O autor deste lamento, que fez vida nos jornais e chegou à Direcção do Diário de Notícias e que com o seu punho assinou editoriais do matutino lisboeta, é caso exemplar da dependência económica e política da Imprensa portuguesa actual e dos servidores atentos e reverenciais que a dirigem. Eduardo Galeano, escritor, jornalista e humanista uruguaio, diz que o Mundo é hoje dominado por uma “ordem criminosa”. Uma ordem criminosa cujas “corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo também de instituições como o FMI, a OMC e o Banco Mundial para defender os seus interesses” leva a que hoje “500 empresas detenham mais de 50% do PIB Mundial, sendo que muitas delas pertencem a um mesmo grupo”. Uma ordem criminosa, que se apoderou da Imprensa mundial e a coloca aos serviços das suas estratégias ideológicas, económicas e financeiras. Assim, acontece com a generalidade da chamada Comunicação Social, também ela na mão de endinheirados, ou endividados, que embora muitas vezes sejam apenas meros testas-de-ferro, são zelosos cumpridores das ordens dos verdadeiros patrões. E isso explica várias coisas. Como estas que aqui se deixam: - O despedimento cirúrgico de jornalistas seniores, respeitados entre a classe e com capacidade interventiva e reinvidicativa; - A opção por jovens jornalistas pagos com baixos salários ou pagos à peça, sem capacidade interventiva e reinvidicativa. Sem memória também; - O pagamento milionário a algumas “damas” e a alguns “cavalheiros” para que assistam à missa dominical do prof. Marcelo ou à novena do dr. Marques Mendes, à quinta-feira; (Nota: Isto enquanto o desemprego de jornalistas se agrava, sendo que, segundo o Sindicato dos Jornalistas, nos últimos cinco anos (2007-2011), deram entrada na Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas (CPAFJ) 566 novos pedidos de subsídio de desemprego, num total de 694 processos. Mais: os OCS são dominados por dois/três grupos económicos – Controlinveste/Impresa/Cofina/Impala, na chamada imprensa cor de rosa, pelo que jornalista caído em desgraça jamais, como dizia o outro, voltará ao exercício da profissão.) - Ou, também, para que os “Prós” sempre derrotem os “Contras” que se manifestam contra o PU (Pensamento Único) que domina o mundo, o país, e teima em dominar as nossas vidas. A Imprensa, escrita, televisiva, radiofónica e muito daquela que hoje por aí vagueia impõe a Censura, pois promove a autocensura.  E manipula inocências e consciências! Vendendo a imagem de “vamps” e de “vips”, das suas festas e carros; servindo-nos um qualquer Fiúza a dizer que, por integrar uma associação de cristãos de Barcelos e caso o Gil Vicente ganhasse a Taça da Liga, iria dar espumante aos sem-abrigo de uma terra esventrada pelo desemprego; dando tempo de antena e páginas inteiras a uma qualquer irmã do Cristiano Ronaldo; ou a qualquer similar indigente mental. E se esqueçam, por exemplo, de assinalar os 20 anos da morte de Salgueiro Maia – logo a ele que tudo nos deu e nada quis em troca:  Esta é a madrugada que eu esperava O dia inicial inteiro e limpo Onde emergimos da noite e do silêncio E livres habitamos a substância do tempo Como tão bem anunciou Sofia de Melo Breyner; E se esqueçam, também. dos 100 anos do nascimento de Alves Redol e Manuel da Fonseca ou dos 103 de Soeiro Pereira Gomes, símbolos maiores do neo-realismo. Ou que nada digam sobre o facto de Américo Amorim entupir as contas fiscais da sua holding com pensos higiénicos e destaquem em letras garrafais que “60 mil recebem rendimento mínimo e não mexem palha”, como ainda há dias titulava (esquecendo os rendimentos máximos de quem nada faz) um matutino que já se preocupou com os mais desfavorecidos. Imprensa alternativa - Imprensa contra poder  Num mundo dominado pela ordem criminosa de que nos fala Galeano, urge fazer uma Imprensa séria, alternativa, uma Imprensa de contra poder. E não de quarto poder, como alguns defendiam e que, prova-o a história e os factos, acabou no quarto do poder. Poder que dela se serve a seu bel-prazer. Ou seja: precisamos de um jornalismo de contra poder, que mude o mundo e nos faça reflectir, que nos dê uma outra visão e contrarie o PU que nos domina.  Sobretudo na Europa, nesta Europa dominada por mercados e mercadores que a encaminham para o maior retrocesso civilizacional de que há memória.  A Internet é, pelo menos por agora, um suporte alternativo, bem como a Informação que nos chega da América Latina.  Nomeadamente com o nascimento da Telesur – rede de televisão criada em 2005 na Venezuela como contraponto à hegemonia das grandes redes privadas de TV, tais como a CNN e a Univisón. Ou ainda através da leitura do periódico Le Monde Diplomatique, que o jornalista e sociólogo galego Ignacio Ramonet dirige desde 1991; Ou, também, e entre nós pela leitura dos sítios: - cinco dias; - o diario.info; - resistir.info. Por exemplo. Pois só assim ficaremos a saber a razão que levou o farmacêutico Dimitris Christoulas a suicidar-se, com um tiro, junto ao parlamento grego. Eis a carta do herói da Praça Syntagma: “O governo de ocupação aniquilou-me literalmente qualquer possibilidade de sobrevivência dado que o meu rendimento era inteiramente proveniente de uma pensão que eu, sem qualquer apoio de ninguém nem do Estado, financiei durante 35 anos. Porque a minha idade me impede de assumir uma acção radical (se não fosse isso, se um cidadão decidisse lutar com uma Kalashnikov, eu seria o primeiro a segui-lo), não me resta nenhuma solução excepto colocar um fim decente à minha vida antes de ser forçado a procurar comida nos caixotes do lixo e de ser um peso para os meus filhos. Eu acredito que a juventude sem futuro brevemente se erguerá [literalmente: “empunhará armas”] e enforcará todos os traidores nacionais de cabeça para baixo, como os Italianos fizeram a Mussolini em 1945 [Piazzale Loreto, Milão]”. Também publicado em resistir.info, no sítio Jornalismo do Sindicato dos Jornalistas, e em blogues do Brasil e do País Basco.
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#5 macaense

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Posted 16 January 2015 - 11:30 AM

Quem sou eu
Soares Novais Porto, Porto, Portugal Porto (1954). Autor, editor, jornalista. Tem prosa espalhada por jornais, livros e revistas. Assinou e deu voz a crónicas de rádio. Foi dirigente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) e da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP). Publicou o romance "Português Suave" e o livro de crónicas "O Terceiro Anel Já Não Chora Por Chalana". É um dos autores portugueses com obra publicada na colecção "Livro na Rua", que é editada pela Editora Thesaurus, de Brasília. Tem textos publicados no Resistir.info e em diversos sítios da América Latina e do País Basco. Assina a crónica "Farpas e Cafunés" na revista digital brasileira "Nós Fora dos Eixos". Visualizar meu perfil completo

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#6 macaense

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Posted 16 January 2015 - 01:10 PM

I  am  Charlie  Chaplin !

 

 

Je Suis Charlie Chaplin
A Fetid Wind of Racism Hovers Over Europe
by SHLOMO SAND

“To read the Koran is a revolting experience. After Islam is born, it distinguishes itself by its will to subjugate the world. Its nature – it is subjugation.”

— Michel Houellebecq, reported 31 August 2001.

Nothing justifies an assassination, all the more a mass murder committed in cold blood. What has happened in Paris, the beginning of January, constitutes an absolutely inexcusable crime.

To say that involves nothing original: millions of people think and feel likewise on this account. However, in the light of this appalling tragedy, one of the first questions that occurrs to me is the following: in spite of the profound disgust experienced by the murders, is it obligatory to identify oneself with the victims’ actions? Must I be Charlie because the victims were the supreme incarnation of the ‘liberty of expression’, as the President of the Republic has declared? Am I Charlie, not only because I am a secular atheist, but also because of my fundamental antipathy towards the oppressive roots of the three principal Western monotheistic religions?

Certain caricatures published in Charlie Hebdo, that I’ve seen ages ago, appeared to me to be in bad taste; only a minority amongst them made me laugh. But isn’t the problem to be found there! In the majority of the caricatures on Islam published by the weekly, in the course of the last decade, I have discerned a manipulative aggro intended to further seduce the readership, obviously non-Muslim.

The reproduction by Charlie of the caricatures published in the Danish magazine seemed to me appalling. Already, in 2006, I had perceived as pure provocation the drawing of Mohammed decked in a turban in the form of a bomb. This is not so much a caricature against Islamists as a stupid conflation of Islam with Terror; it’s on a par with identifying Judaism with money!

It has been affirmed that Charlie, impartially, lays into all religions, but this is a lie. Certainly, it mocks Christians, and, sometimes, Jews. However, neither the Danish magazine, nor Charlie would permit themselves (fortunately) to publish a caricature presenting the prophet Moses, with kippah and ritual fringes, in the guise of a wily money-lender, hovering on a shlomostopped.jpgstreet corner. It is good that in the society these days called ‘Judeo-Christian’ (sic), it should no longer be possible to publically disseminate anti-Jewish hatred, as was the case in the not-too-distant past. I am for the liberty of expression while being at the same time opposed to racist incitement.

I admit to, gladly, tolerating the restrictions imposed on Dieudonné from expressing too far and wide his ‘criticism’ and his ‘jokes’ against Jews. On the other hand, I am positively opposed to attempts to restrain him physically. And if, by chance, some idiot attacks him, I will not be very shocked … albeit I will not go so far as to brandish a placard with the inscription: ‘je suis Dieudonné’.

In 1886, there was published in Paris La France juive of Edouard Drumont. And in 2014, the day of the assassinations committed by the three idiot criminals, there appears, under the title: Soumission [Submission], effectively Muslim France, of Michel Houellebecq. The pamphlet La France juive was a genuine bestseller by the end of the 19th Century. Even before its appearance in the bookstores, Soumission was already a bestseller!

These two books, each in its own time, have benefited from sizeable and heated media coverage. There are, certainly, differences between them. Amongst other things, Houellebecq knows that, at the beginning of the 21st Century, it is no longer acceptable to generate fear-mongering of a Jewish threat, but that it remains readily acceptable to sell books implying a Muslim threat. Alain Soral, less adept, has not understood the ‘rules’ and, for this fact, he is marginalized in the media – and so much the better! Houellebecq, on the other hand, has been invited, with much fanfare, to appear on the coveted 8 o’clock program (journal de 20 heures) of French public television, while his book is simultaneously responsible for the dissemination of the fear of Islam.

A bad wind, a fetid wind of dangerous racism, hovers over Europe: there exists a fundamental difference between challenging a religion or a dominant belief in a society, and that of attacking or inciting against the religion of a dominated minority. If, in the breast of ‘Judeo-Muslim’ [no less ridiculous than the Judeo-Christian label] society – in Saudi Arabia, in the Gulf Emirates – there is a groundswell of protests and warnings against the dominant religion that oppresses workers in their thousands, and millions of women, we have the responsibility to support the persecuted protestors. Now, as one well knows, Western leaders, far from encouraging the would-be disciples of Voltaire and Rousseau in the Middle East, maintain their total support to the religious regimes the most repressive.

On the other hand, in France or in Denmark, in Germany or in Spain populated by millions of Muslim workers, more often forced into the worst jobs, at the bottom of the social scale, it is necessary to show the greatest prudence before criticizing Islam, and above all to not crudely ridicule it.

At the moment, and particularly after this terrible massacre, my sympathy goes to the Muslims who reside in ghettos adjacent to the metropolises, who are at considerable risk of becoming the second victims of the murders perpetrated at Charlie Hebdo and at the Hyper Casher supermarket. I continue to take as a reference point the ‘original Charlie’: the great Charlie Chaplin who never mocked the poor and the little-educated.

Moreover, and knowing that one’s writings always occur in context, how to not raise the fact that, for more than a year, so many French troops are present in Africa to ‘combat the jihadists’, when no serious debate has taken place in France on the usefulness or the damage of these military interventions? The colonial gendarme of yesteryear, who carries an incontestable responsibility in the chaotic heritage of [arbitrary] borders and regimes, is today ‘recalled’ to reinstall ‘law and order’ by means of its latterday neo-colonial gendarmerie.

France joins the military coalition in Iraq, beside the US military, firefighting pyromaniac, responsible for the chaos created in the region, and notably in the rise to power of the frightful ‘Daesh’. Allied with the ‘enlightened’ Saudi leadership, and other ardent partisans of the ‘liberty of expression’ in the Middle East, [France] shores up the illogical border carve-up that it had imposed a century ago according to its imperialist interests. It is summoned to bombard those who threaten the precious oil reserves whose product it consumes, without understanding that, in doing so, it invites the risk of terror attacks in the heart of the metropolis.

But, in fact, it is possible that this process is well understood. The enlightened West can’t possibly be the naive and innocent victim as it loves to present itself. Of course, for an assassin to kill in cold blood innocent and unarmed people it is necessary to be cruel and perverse. But it is necessary to be hypocritical or stupid to close one’s eyes on the particulars that have provided the foundations of this tragedy.

This is also proof of a blindness that we had better understand: this conflict will further escalate if we don’t all work together, atheists and believers, to open true ways of living together without hating each other.

Shlomo Sand is the author of How I Stopped Being a Jew, Verso, 2014.

In November 2014 Sand was denied the opportunity to talk at a University in France (seat of the liberty of expression). The UJFP summarises the affair here.

An earlier version of this article was published on the site of the Union Juive Française pour la Paix, and reproduced on Mediapart. Translated from the Hebrew by Michel Bilis; translated from Bilis’ French by Evan Jones.


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#7 macaense

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Posted 16 January 2015 - 01:16 PM

I am Charlie Chaplin !

 

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