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EUA: era de ouro da guerra suja Em 2015 já há “missões especiais” de agentes clandestinos dos EUA em 105 países 20/1/2015, [*] Nick Turse


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Posted 25 January 2015 - 02:21 PM

EUA: era de ouro da guerra suja
 
Em 2015 já há “missões especiais” de agentes
clandestinos dos EUA em 105 países
 
vilavudu.jpg
20/1/2015, [*] Nick TurseTom Dispatch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 
 
Já operante na Austrália, Brasil, Canadá, Colômbia, El Salvador, França, Israel, Itália, Jordânia, Quênia, Polônia, Peru, Turquia e Reino Unido, o programa SOLO deve ser expandido, segundo Votel, para 40 países até 2019.
 
 
V-22%2BOsprey.jpg V-22 Osprey
Na calada da noite, eles mergulham num V-22 Osprey. Pousam numa região remota de um dos países mais voláteis do planeta, destroem um vilarejo e, em poucas horas, estão envolvidos em tiroteio mortal. Era a segunda vez, em duas semanas, que a elite dos  SEALs  da Marinha dos EUA tentava resgatar o fotojornalista Luke Somers. E foi o segundo fracasso.
 
Dia 6/12/2014, aproximadamente 36 dos top commandos dos EUA, pesadamente armados, operando com inteligência de satélites,drones, escutas clandestinas da mais alta tecnologia, equipados com óculos para visão noturna e apoiados por tropas de elite do Iêmen, postaram-se distantes apenas poucos passos de seis militantes da al-Qaeda na Península Árabe. Quando tudo acabou, Somers estava morto, bem como Pierre Korkie, professor sul-africano cuja soltura havia sido anunciada para o dia seguinte. Os comandos norte-americanos assassinaram também oito civis, segundo relatos de locais. A maioria dos militantes conseguiu fugir.
 
Esse episódio sangrento foi, dependendo de seu ponto de vista, o fim ignominioso de um ano ao longo do qual as Forças Especiais dos EUA foram ativadas em números recordes de ocasiões, ou o nada auspicioso começo de novo ano, já encaminhado para repetir, se não para ultrapassar, aqueles mesmos números.
 
Durante o ano fiscal que terminou dia 30/9/2014, as Forças de Operações Especiais dos EUA [orig. Special Operations Forces (SOF)] foram mandadas para 133 países – em números redondos, 70% das nações do planeta – segundo o tenente-coronel Robert Bockholt, oficial de Relações Públicas do Comando de Operações Especiais dos EUA [orig. Special Operations Command (SOCOM)]. Foi a coroação de período de três anos durante os quais as principais forças de elite dos EUA estiveram ativas em mais de 150 diferentes países em todo o mundo, sempre em missões que vão de raids noturnos para captura/ assassinato, até exercícios para treinamento. E esse ano pode ter batido novo recorde. Apenas um dia antes do raid que pôs fim à vida de Luke Somers – decorridos apenas 66 dias do ano fiscal de 2015 – as principais tropas de elite dos EUA já haviam posto seus coturnos em solo de 105 nações: aproximadamente 80% do total de 2014.
 
Apesar da escala massiva, essa guerra mundial secreta que os EUA travam hoje contra praticamente todo o planeta é desconhecida de muitos norte-americanos. Diferente da débâcle no Iêmen, a vasta maioria das operações clandestinas das forças especiais dos EUA permanecem absolutamente ocultas, longe de qualquer supervisão externa, longe de qualquer controle pela mídia ou pelos cidadãos. De fato, exceto por pequenas quantidades de informação distribuída na cobertura pela muito seletiva mídia militar (vídeo de 22/3/2014, no fim do parágrafo), por “vazamentos”oficiais que saem da Casa BrancaSEAL  que tenham alguma coisinha para vender e alguns jornalistas escolhidos a dedo com notícias sobre  eventos  escolhidos a dedo, praticamente todas as ações e práticas desses operadores norte-americanos especiais jamais são examinadas de modo significativo – o que só faz aumentar a probabilidade de revides nunca previstos e outras consequências catastróficas.
 
 
 
Era de Ouro
 
“O comando está no seu zênite absoluto. Trata-se, de fato, de uma era de ouro das operações especiais”. São palavras do general Joseph Votel III, graduado em West Point e Ranger do Exército, ao assumir o comando do SOCOM em agosto passado.
 
A retórica do general pode soar grandiloquente, mas não é exagerada. Desde 11/9/2001, as forças de Operações Especiais dos EUA cresceram sob todos os critérios imagináveis, inclusive em números, em orçamento, no poder que tem sobre Washington e no lugar que ocupa da imaginação popular. O comando, por exemplo, mais que dobrou em termos de pessoal, dos cerca de 33.000 em 2001, para cerca de 70.000 hoje, incluindo-se o salto de cerca de mais 8.000 só durante o mandato do almirante William McRaven recentemente aposentado no comando do SOCOM.
 
Esses números, por impressionantes que sejam, não dão ideia plena da natureza e do alcance da expansão global dessas forças de elite norte-americanas nesses anos. Para tanto, é preciso percorrer a estrutura do Comando de Operações Especiais, verdadeiro emaranhado de siglas e sempre em ampliação. A coisa é de enlouquecer, mas é indispensável, para que se possa ter ideia realista da coisa de que estamos falando.
 
A parte do leão das tropas do SOCOM são Rangers, Boinas Verdes [orig. Green Berets] e outros soldados do Exército, seguidos por commandos  a Força Aérea, os SEALs [palavra que significa (lit.) “foca” e designa os soldados da Marinha dos EUA, de terra, ar e mar, para operações especiais (NTs)], e pequeno contingente de Marines.  Mas só se começa a ter ideia de o quanto e como o comando está em expansão, se se consideram todos os “comandos subunificados” entre os quais se distribuem esses “soldados especiais”:SOCAFRICA, autoexplicativo; SOCEUR, o contingente europeu; SOCKOR, devotado estritamente à Coreia; SOCPAC, que cobre o resto da região do Pacífico Asiático;SOCSOUTH, que executa serviços na América Central, América do Sul e Caribe; SOCCENT, o comando subunificado dos EUA. O Comando Central (CENTCOM) no Oriente Médio; o SOCNORTH, devotado à “defesa da pátria”; e os eternos viajantes “extremos” do Comando Unificado de Operações Especiais [orig. Joint Special Operations CommandJSOC] – subcomando clandestino (antes comandado por McRaven, depois por Votel), constituído de pessoal de cada um dos vários ramos do serviço, incluindo SEALs, tripulações táticas especiais da Força Aérea, e a Delta Force, do Exército, especializada em rastrear e assassinar suspeitos de terrorismo.
 
E não pense que fica por aí. Resultado do empenho de McRaven para criar “forças globais de Operações Especiais, de aliados e parceiros interagências”, há agora oficiais de ligação das Operações Especiais (ou SOLOs), embedded [ap. “incorporados”] em 14 embaixadas dos EUA para servir como conselheiros das forças especiais em várias nações aliadas. Já operante na Austrália, Brasil, Canadá, Colômbia, El Salvador, França, Israel, Itália, Jordânia, Quênia, Polônia, Peru, Turquia e Reino Unido, o programa SOLO deve ser expandido, segundo Votel, para 40 países até 2019. O comando, e especialmente o JSOC, também construiu laços próximos com a Central Intelligence Agency, o Federal Bureau of Investigation e a National Security Agency, dentre outros.
 
Shadow Ops [agentes clandestinos que agem nas sombras]
 
O alcance global do Comando de Operações Especiais, SOCOM, vai ainda mais longe, com número menor de elementos mais ágeis, que operam clandestinamente, a partir das bases que os EUA mantêm em áreas remotas do Sudeste da Ásia, de postos avançados no Oriente Médio, a campos austeros em plena África. Desde 2002, o SOCOM está também autorizado a criar suas próprias Forças-Tarefas Conjuntas [orig. Joint Task Forces], prerrogativa normalmente reservada a comandos de combate maiores, como o CENTCOM.
 
Joint%2BSpecial%2BOperations%2BTask%2BFo Força-Tarefa Filipinas de Operações Especiais Conjuntas - JSOTF-P
Considere-se, por exemplo, a Força-Tarefa Filipinas de Operações Especiais Conjuntas [Joint Special Operations Task Force-Philippines (JSOTF-P)], a qual, no pico, contava com cerca de 600 agentes norte-americanos para apoiar operações de contraterrorismo de aliados dos filipinos, contra grupos insurgentes como Abu Sayyaf. Depois de mais de uma década consumida em combates contra esse grupo, o número de agentes foi reduzido, mas o grupo continua ativo, embora a violência na região permaneça virtualmente inalterada.
 
Uma fase de redução da força tarefa foi de fato anunciada em junho de 2014. “JSOTF-Pserá desativada e a chamada operaçãoOEF-P [Operation Enduring Freedom-Philippines(Operação Liberdade Duradoura-F)] será concluída no ano fiscal de 2015” – disse Votel à Comissão das Forças Armadas do Senado, no mês seguinte “Um número menor de pessoal militar norte-americano operando como parte de uma Equipe de Ampliação de um PACOM[U.S. Pacific Command] continuará a melhorar as capacidades e habilidades das Forças Especiais das Filipinas (PSF, Philippine Special Forces] para que levem a bom termo suas missões CT [de contraterrorismo]...”
 
Mas meses adiante, a Força Tarefa de Operações Especiais-Filipinas permanecia do mesmo tamanho que antes, e operante. “JSOTF-P continua ativa, mas o número de pessoal lá alocado foi reduzido” – disse a porta-voz do Exército Kari McEwen ao repórter Joseph Trevithick de War Is Boring [lit. Guerra é tédio].
 
Outra unidade especial, a Força-Tarefa de Operações Especiais Conjuntas-Bragg [orig. Special Operations Joint Task Force-Bragg], permaneceu nas sombras durante anos, antes de pela primeira vez ser oficialmente mencionada pelo Pentágono, no início de 2014. O papel dela, segundo Bockholt, do SOCOM, é “treinar e equipar soldados norte-americanos a serem enviados para o Afeganistão para apoiar a Força-Tarefa de Operações Especiais-Afeganistão [orig. Special Operations Joint Task Force-Afghanistan]”. Essa última passou mais de uma década executando operações clandestinas ou “negras” [orig. black-ops], “para impedir atividades de insurgentes que ameaçassem a autoridade e a soberania (sic) do governo afegão.
 
“Operações negras” significa raids noturnos missões de assassinar/ sequestrar – quase sempre articuladas com forças de elite afegãs – que levaram à morte de número ignorado de combatentes e de civis. Em resposta à indignação da população contra esses raids, o presidente Hamid Karzai do Afeganistão praticamente os baniu em 2013.
 
As Forças de Operações Especiais dos EUA deveriam ter sido transferidas para um papel de apoio em 2014, deixando no comando as tropas afegãs de elite. “Estamos tentando deixar que eles comandem o show”, disse o coronel Patrick Roberson da Força-Tarefa-Afeganistão, ao jornal USA Today. Mas, segundo LaDonna Davis, porta-voz da Força Tarefa, os operadores norte-americanos ainda comandavam missões no final do ano passado. A força recusa-se a dizer quantas missões foram comandadas pelos norte-americanos, nem em quantas operações seus comandos estiveram envolvidos, embora as Forças de Operações Especiais-Afeganistão tenham realizado, oficialmente 150 missões por mês, em 2014. “Não posso discutir o número específico de operações realizadas” disse o major Loren Bymer da Força-Tarefa de Operações Especiais-Afeganistão, a TomDispatch. “Mas os afegãos de fato atualmente lideram 96% das operações especiais, e nós continuamos a treiná-los, aconselhá-los e ajudar nossos parceiros, para garantir que sejam bem-sucedidos”.
 
Afghan%2BSpecial%2BSecurity%2BForce.jpg ASSF  - Afghan Special Security Force
E se você pensou que por aí acaba o quadro organizacional das forças especiais, a Força-Tarefa de Operações Conjuntas-Afeganistão tem cinco Grupos de Aconselhamento de Operações Especiais “focados em orientar e aconselhar nossos parceiros ASSF [Afghan Special Security Force]” – como disse Votel. “Para garantir que nossos parceiros  ASSF continuem a dar combate a nossos inimigos, as Forças de Operações Especiais dos EUA tem de manter algum aconselhamento no plano tático depois de 2014, com unidades selecionadas em locais selecionados” – disse o mesmo Votel à Comissão das Forças Armadas do Senado.
 
Na verdade, em novembro passado o sucessor de Karzai, Ashraf Ghani, discretamente cancelou a proibição dos raids noturnos, reabrindo a porta para novas missões dos conselheiros norte-americanos, por lá, em 2015.
 
Mas haverá menos agentes das forças especiais dos EUA disponíveis para missões táticas. Segundo o então sub, agora vice-almirante Sean Pybus, vice-comandante do SOCOM, cerca de metade dos pelotões de SEALs mandados para o Afeganistão deveriam, até o final do mês passado, ser retirados e redirecionados para apoiar “o pivô para a Ásia, ou trabalhar no Mediterrâneo, ou no Golfo de Guiné, ou no Golfo Persa”. Mesmo assim o coronel Christopher Riga, comandante do 7º Grupo de Forças Especiais, cujos soldados serviram com a Força-Tarefa Combinada de Forças Especiais Conjuntas-Afeganistão perto de Kandahar no ano passado, jurou persistir. “Há muita luta em curso no Afeganistão, que continuará” – disse ele, numa cerimônia de entregas de medalhas ano passado. “Continuaremos a matar o inimigo, até que nos mandem sair”.
 
Acrescente a essas forças-tarefas os elementos do Comando Avante de Operações Especiais [orig. Special Operations Command Forward (SOC FWD)], pequenas equipes que, segundo os militares, “modelam e coordenam a cooperação e o engajamento de segurança de forças de operações especiais, em apoio ao comando das operações especiais no teatro, comando geográfico combatente e equipes e objetivos no país”. O SOCOM recusou-se a confirmar a existência de SOC FWDs, embora haja muitas provas oficiais sobre o tema, e a oferecer um número de quantas equipes estão hoje ativas pelo mundo. Mas as que já se sabem que existem estão plantadas em operações-negras prestigiadas em locais especiais, dentre elasSOC FWD-Paquistão, SOC FWD-Iêmen e SOC FWD-Líbano, além das SOC FWD-Leste da África, SOC FWD-África Central e SOC FWD-África Ocidental.
 
 
Kill%2BAnything%2BThat%2BMoves%2BThe%2BR Kill Anything ThatMoves: United States
War Crimes and Atrocities in Vietnam
A África, de fato, converteu-se em local especial para missões clandestinas conduzidas por operadores especiais norte-americanos. “Essa unidade particular tem feito coisas impressionantes. Seja na Europa ou na África, em grande variedade de contingências, vocês contribuem de modo muito significativo” – disse o comandante do SOCOM, general Votel, aos membros do 352º Grupo de Operações Especiais em sua base na Inglaterra, no outono passado.
 
Os commandos aéreos de modo algum estão sós na exploração daquele continente. Ao longo dos últimos anos, por exemplo, os SEALs executaram uma operação bem-sucedida de resgate de prisioneiro na Somália, e um raid para sequestro que não deu certo. Na Líbia, commandos da Força Delta conseguiram capturar um militante da al-Qaeda num ataque matinal, e SEALs recuperaram um navio petroleiro carregado da Líbia, que o governo local, apoiado pelos EUA considerava roubado. Além disso, os SEALs comandaram uma missão fracassada de evacuação no Sudão do Sul, durante a qual vários agentes foram feridos quando o avião no qual estavam foi atingido por tiros de pistola de baixo calibre. Enquanto isso, uma força de elite de resposta rápida, conhecida como Naval Special Warfare Unit 10 (NSWU-10) estava envolvida com “países estratégicos” como Uganda, Somália e Nigéria.
 
Um esforço clandestino de treinar agentes especiais na Líbia implodiu, quando milícias ou “forças terroristas” atacaram duas vezes o acampamento, guardado por militares líbios, e saquearam grandes quantidades de equipamento norte-americano de alta tecnologia, centenas de armas – inclusive pistolas Glock e rifles M4 – além de equipamento para visão noturna e lêiseres especializados, que só podem ser vistos com aquele equipamento. Resultado disso, a missão foi desmantelada e o acampamento, abandonado. Depois se informou que havia sido tomado por uma milícia.
 
Em fevereiro do ano passado (2014), tropas de elite viajaram para o Niger, para três semanas de exercícios militares, como parte de Flintlock 2014, um exercício anula para agentes de contraterrorismo, que unia forças da nação anfitriã, Canadá, Chade, França, Mauritânia, Países Baixos, Nigéria, Senegal, Reino Unido e Burkina Faso. Vários meses depois, um oficial de Burkina Faso, que recebera treinamento contraterrorismo nos EUA, sob os auspícios da Universidade de Operações Especiais Conjuntas do SOCOM em 2012, tomou o poder num golpe de estado. Mas os agentes das Forças Especiais não foram incomodados. No final do ano passado, por exemplo, sob os auspícios do SOC FWD-África Ocidental, membros do 5º Batalhão, 19º Grupo de Forças Especiais, uniram-se a soldados da elite marroquina para treinamento, numa base nos arredores de Marrakech.
 
Um mundo de oportunidades
 
O envio de agentes para nações africanas, porém, não dá conta se não de pequena parte do rápido crescimento do alcance global do Comando de Operações Especiais. Nos últimos dias do governo Bush, sob comando do então chefe do SOCOMalmirante Eric Olson, sabe-se que forças de Operações Especiais foram enviadas para cerca de 60 países em todo o mundo. Em 2010, o número de países cresceu para 75, segundo Karen DeYoung e Greg Jaffe do Washington Post. Em 2011, o porta-voz do SOCOM, coronel Tim Nye, disse a TomDispatch que esse total alcançaria 120 países até o final do ano. Com o almirante William McRaven que assumiu em 2013, o então major Robert Bockholt disse a Tom Dispatch que o número já saltara para 134. Sob o comando de McRaven e Votel em 2014, segundo Bockholt, o total diminuiu quase nada, para 133. Mas o secretário de defesa anterior, Chuck Hagel, observou que sob o comando de McRaven – de agosto de 2011 a agosto de 2014 – as Forças de Operações Especiais passaram a estar presentes em mais de 150 diferentes países. “De fato, SOCOM e todos os militares norte-americanos estão mais engajados internacionalmente hoje, do que nunca antes – em mais locais e com variedade maior de missões” – disse Hagen em discurso de agosto de 2014.
 
Não estava brincando. Em apenas dois meses do ano fiscal de 2015, o número de países onde há agentes de Forças Especiais dos EUA já chegou a 105, segundo Bockholt.
 
socom-soldado.jpg Treinamento do SOCOM
O Comando das Operações Especiais, SOCOM, não quis comentar a natureza de suas missões ou as vantagens de operar em tantos países. O Comando não quis sequer indicar o nome de um único país para onde tivessem sido enviadas forças de operações especiais nos últimos três anos. Mas rápido exame de algumas operações, exercícios e atividades que já vieram à luz pinta quadro de um comando “viajante extremo”, comando globe-trotter, sempre às voltas com alianças em todos os pontos do planeta.
 
Em janeiro e fevereiro/2014, por exemplo, membros do 7º Grupo de Forças Especiais e o 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais conduziram um mês de Treinamento Conjunto Combinado [orig. Joint Combined Exchange Training (JCET)] com vários grupos de Trinidad e Tobago, enquanto tropas do 353º Grupo de Operações Especiais reuniram-se a membros da Força Aérea da Tailândia, para Exercise Teak Torch em Udon Thani, Tailândia. Em fevereiro e março, os Boinas Verdes do 20º Grupo de Forças Especiais treinaram com tropas de elite da República Dominicana, como parte de outro JCET.
 
Em março, membros do Comando de Operações Especiais da Marinha e Unidade 1 Especial de Guerra Naval [orig. Marine Special Operations Command e Naval Special Warfare Unit 1 participaram de manobras no porta-aviões USS Cowpens, como parte do Multi-Sail 2014, exercício anual organizado para apoiar “a segurança e a estabilidade na região do Indo-Ásia-Pacífico”. Naquele mesmo mês, soldados, marinheiros, aviadores de elite participaram de um exercício cujo nome em código foi “Fused Response”, com militares do Belize. “Exercícios como esse constroem elos e confiança entre os militares dos EUA e do Belize” – disse, adiante, o tenente-coronel da Força Aérea Heber Toro, do Comando Sul de Operações Especiais. [segue-se longa relação de exercícios militares em várias partes do mundo]. [...]
 
Querem estar em toda parte
 
Para os chefes de operações especiais dos EUA, o globo é tão instável quanto interconectado. “Tenho certeza de que o que acontece na América Latina afeta o que acontece na África Ocidental, que afeta o que acontece no sul da Europa, que afeta o que acontece no sudoeste da Ásia” – disse McRaven ano passado na Geolnt, reunião anual de executivos da indústria-vigilância e pessoal militar. Solução que tinha a oferecer para esse instabilidade interconectada? Mais missões, em mais países – em mais do que em ¾ dos países do planeta, de fato – durante o mandato de McRaven. E o palco parece pronto para ainda mais do mesmo, no futuro próximo. “Queremos estar em todos os pontos” – disse Votel na Geolnt. Suas forças já estão bem a caminho disso, em 2015.
 
US%2BNavy%2BSeals%2Bin%2Btraining.jpg Seals (Marinha) em treinamento
“Nossa nação tem altas expectativas das Forças de Operações Especiais” – disse ele a agentes especiais na Inglaterra, no outono passado. – “Procuram-nos para as missões mais difíceis, nas mais difíceis condições”. A natureza e o local da maioria dessas “missões difíceis” porém são mantidos sob total segredo. E Votel, aparentemente, não tem interesse em lançar qualquer luz sobre a questão. “Desculpe, mas, não” – foi a resposta do SOCOM, quandoTomDispatch solicitou uma entrevista com o comandante das Operações Especiais, para saber de operações correntes e futuras. Na verdade, aquele comando não autorizou que seus subordinados participassem de uma discussão pública sobre o que eles fazem em nome dos EUA e com o dinheiro dos contribuintes norte-americanos. Não é difícil saber por quê.
 
Votel está agora sentado no topo de inúmeras narrativas de militares pós 11/9, que se meteram em incontáveis guerras que não venceramrevides de intervenções, atividade criminosa rampantevazamentos repetidos de segredos  embaraçosos, e todos os tipos de escândalos mais chocantes.
 
Graças a uma combinação perversa de jactância e secretismo, vazamentos cuidadosamente plantados, muito “marketing” e empenhado trabalho de relações públicas”, o cultivo hábil de uma mística do Super-Homem (sempre com uma comovente pitada de atormentada fragilidade), e muita “matança premeditada” legal (“targeted killing), as forças de Operações Especiais tornaram-se  queridinhas da cultura popular norte-americana, enquanto o Commando foi o principal vencedor na luta de foice em Washington, pelo Orçamento.
 
É particularmente surpreendente, se se considera o que realmente acontece em campo: na África, foi armar e fantasiar militantes e dar treinamento ao líder de um golpe; no Iraque, as mais elitistas das forças de elite dos EUA estavam implicadas na tortura mais sórdida, na destruição de moradias, e na matança de inocentes; no Afeganistão, história semelhante, com repetidos relatos de mortes de civis; enquanto no Iêmen foi sempre mais do mesmo, como no Paquistão e na Somália. E até aqui mal se arranhou a superfície dos descaminhos dos agentes de Operações Especiais.
 
Em 2001, antes que as forças especiais [vestidas de preto] dos EUA tivessem começado sua guerra massiva, multifrentes, clandestinas contra o terrorismo, havia 33.000 membros do Comando de Operações Especiais e cerca de 1.800 membros da elite da elite, o Comando das Operações Especiais Conjuntas. Havia então, também, 23 grupos terroristas – do Hamás ao Exército Republicano Irlandês Real – como o Departamento de Estado reconhecia, incluída a al-Qaeda, cujo número de membros era estimado em alguma coisa entre 200 e 1.000. O grupo tinha base no Afeganistão e Paquistão, embora algumas pequenas células tivessem já atuado em vários países, incluindo Alemanha EUA.
 
Depois de mais de uma década de guerras secretas, vigilância massiva, números jamais revelados de raids noturnos, detenções e assassinatos, sem mencionar os bilhões e bilhões de dólares consumidos, os resultados falam por eles mesmos. O SOCOM mais que duplicou de tamanho, e o secretivo JSOC talvez já tenha o tamanho que tinha o SOCOM em 2001. Desde setembro daquele ano, 36 novos grupos de terror surgiram inclusive incontáveis franquias, novos ramos e aliados da al-Qaeda. Hoje, esses grupos ainda operam no Afeganistão e Paquistão – há agora 11 afiliados reconhecidos da al-Qaeda no Afeganistão,cinco no Paquistão – bem como no Mali, na Tunísia, Líbia e Marrocos, Nigéria e Somália, Líbano e Iêmen, dentre outros países.
 
al-qaeda-operations-cellsmap.jpg Países onde operam "franquias" da al-Qaeda
Um dos ramos nasceu da invasão dos EUA contra o Iraque, foi nutrido num campo de prisioneiros dos EUA e, agora conhecido como Estado Islâmico, controla larga fatia do Iraque e da vizinha Síria, um proto-califato no coração do Oriente Médio que era tudo com que sonhavam os jihadistas nos idos de 2001. Aquele grupo, só ele, reúne estimados 30,000 combatentes e já controla inclusive a segunda maior cidade do Iraque – apesar de ter sido incansavelmente perseguido, desde o nascimento, pelo JSOC.
“Temos de continuar a sincronizar o deslocamento da Força de Operações Especiais pelo mundo”, diz Votel. “Todos temos de ser sincronizados, coordenados e preparados a partir do Comando”.
 
Abandonado bem fora de qualquer sincronia está o povo dos EUA, consistentemente deixado no escuro sobre o que os operadores especiais dos EUA andam fazendo e onde estão, para nem falar dos resultados pífios do que fazem e dos revides gerados pelo que fazem. Mas se a história ensina alguma coisa, não há dúvida de que os operadores ditos especiais, mascarados em negro da cabeça aos pés, farão de tudo para que prossiga, inalterada, essa “era de ouro” do Comando de Operações Especiais dos EUA.
 
Nick_Turse.jpg
[*] Nick Turse recebeu Ph.D.em Ciências na Escola de Artes e Ciências (GSAS) da Columbia University. Como estudante de pós-graduação, Turse era professor assistente no Instituto Radcliffe de Estudos Avançados na Universidade de Harvard entre 2000-2001 e na New York University nos centros de estudos dos EUA para a Guerra Fria. Trabalhou como pesquisador associado da Escola Mailman de Saúde Pública do Centro de História e Ética na Universidade de Columbia.
Em 2001, enquanto pesquisava no Arquivo Nacional dos EUA, descobriu registros de uma força-tarefa do Pentágono chamada Vietnam War Crimes Working Group que foi formado como resultado do massacre de My Lai. Esses registros se tornou o foco de sua tese de doutorado, Kill Anything That Moves: United States War Crimes and Atrocities in Vietnam, 1965-1973.
Turse é atualmente o editor-chefe do sítio TomDispatch.com. Escreveu para publicações como o New York TimesLos Angeles TimesBBC, etc., sobre temas como o vídeo indústria de games, a arte de rua, a guerra no Afeganistão e a Guerra do Vietnã. É autor de várias obras de não-ficção sobre a política externa e militarismo.
 
 

Postado por Castor Filho às 00:07:00

 


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Posted 25 January 2015 - 02:33 PM

Tomgram: Nick Turse, A Shadow War in 150 Countries
Posted by Nick Turse at 8:01am, January 20, 2015.
Follow TomDispatch on Twitter @TomDispatch.

From the point of view of the U.S. military and the national security state, the period from September 12, 2001, to late last night could be summed up in a single word: more.  What Washington funded with your tax dollars was a bacchanalia of expansion intended, as is endlessly reiterated, to keep America “safe.”  But here’s the odd thing: as the structure of what’s always called “security” is built out ever further into our world and our lives, that world only seems to become less secure.  Odder yet, that “more” is rarely a focus of media coverage, though its reality is glaringly obvious.  The details may get coverage but the larger reality -- the thing being created in Washington -- seems of remarkably little interest.

That’s why websites like TomDispatch matter.  They offer the larger picture of a world that’s being built right before our eyes but is somehow seldom actually seen -- that is, taken in meaningfully.  America’s Special Operations forces are a striking example of this phenomenon.  The commando is, by now, a national culture hero, the guy who stands between Hell and us.  But what special ops forces really do all -- and I mean all -- over the planet, doesn’t seem of any particular interest to Americans in general or the mainstream media in particular.  The way those “elite” forces have parlayed their popularity into a staggering growth rate and just what that growth and the actions that go with it actually mean in terms of, say, blowback... well, that’s something you’re simply not going to read much about, other than at a website like this one.

In fact, we’ve focused on the spectacular growth of this country’s special forces outfits, what that has meant globally, and the ethos of the organization for years now.  Nick Turse, in particular, has in the past and again today done the kind of reporting on and assessment of special forces operations that should be the coin of the realm, but couldn’t be rarer in our world.  If you want to know, for instance, just how many countries special forces operatives have set foot in from 2011-2014 (150 on a planet with only 196 nations), this is the place to come, not the giant media outfits that straddle the consciousness of the planet. Tom

The Golden Age of Black Ops
Special Ops Missions Already in 105 Countries in 2015
By Nick Turse

In the dead of night, they swept in aboard V-22 Osprey tilt-rotor aircraft.  Landing in a remote region of one of the most volatile countries on the planet, they raided a village and soon found themselves in a life-or-death firefight.  It was the second time in two weeks that elite U.S. Navy SEALs had attempted to rescue American photojournalist Luke Somers.  And it was the second time they failed.

On December 6, 2014, approximately 36 of America’s top commandos, heavily armed, operating with intelligence from satellites, drones, and high-tech eavesdropping, outfitted with night vision goggles, and backed up by elite Yemeni troops, went toe-to-toe with about six militants from al-Qaeda in the Arabian Peninsula.  When it was over, Somers was dead, along with Pierre Korkie, a South African teacher due to be set free the next day.  Eight civilians were also killed by the commandos, according to local reports.  Most of the militants escaped.

That blood-soaked episode was, depending on your vantage point, an ignominious end to a year that saw U.S. Special Operations forces deployed at near record levels, or an inauspicious beginning to a new year already on track to reach similar heights, if not exceed them.

During the fiscal year that ended on September 30, 2014, U.S. Special Operations forces (SOF) deployed to 133 countries -- roughly 70% of the nations on the planet -- according to Lieutenant Colonel Robert Bockholt, a public affairs officer with U.S. Special Operations Command (SOCOM).  This capped a three-year span in which the country’s most elite forces were active in more than 150 different countries around the world, conducting missions ranging from kill/capture night raids to training exercises.  And this year could be a record-breaker.  Only a day before the failed raid that ended Luke Somers life -- just 66 days into fiscal 2015 -- America’s most elite troops had already set foot in 105 nations, approximately 80% of 2014’s total.

Despite its massive scale and scope, this secret global war across much of the planet is unknown to most Americans.  Unlike the December debacle in Yemen, the vast majority of special ops missions remain completely in the shadows, hidden from external oversight or press scrutiny.  In fact, aside from modest amounts of information disclosed through highly-selective coverage by military media, official White House leaks, SEALs with something to sell, and a few cherry-picked journalists reporting on cherry-picked opportunities, much of what America’s special operators do is never subjected to meaningful examination, which only increases the chances of unforeseen blowback and catastrophic consequences.        

The Golden Age

“The command is at its absolute zenith.  And it is indeed a golden age for special operations.”  Those were the words of Army General Joseph Votel III, a West Point graduate and Army Ranger, as he assumed command of SOCOM last August. 

His rhetoric may have been high-flown, but it wasn’t hyperbole.  Since September 11, 2001, U.S. Special Operations forces have grown in every conceivable way, including their numbers, their budget, their clout in Washington, and their place in the country’s popular imagination.  The command has, for example, more than doubled its personnel from about 33,000 in 2001 to nearly 70,000 today, including a jump of roughly 8,000 during the three-year tenure of recently retired SOCOM chief Admiral William McRaven.

Those numbers, impressive as they are, don’t give a full sense of the nature of the expansion and growing global reach of America’s most elite forces in these years.  For that, a rundown of the acronym-ridden structure of the ever-expanding Special Operations Command is in order.  The list may be mind-numbing, but there is no other way to fully grasp its scope.   

The lion’s share of SOCOM’s troops are Rangers, Green Berets, and other soldiers from the Army, followed by Air Force air commandos, SEALs, Special Warfare Combatant-Craft Crewmen and support personnel from the Navy, as well as a smaller contingent of Marines.  But you only get a sense of the expansiveness of the command when you consider the full range of “sub-unified commands” that these special ops troops are divided among: the self-explanatory SOCAFRICA; SOCEUR, the European contingent; SOCKOR, which is devoted strictly to Korea; SOCPAC, which covers the rest of the Asia-Pacific region; SOCSOUTH, which conducts missions in Central America, South America, and the Caribbean; SOCCENT, the sub-unified command of U.S. Central Command (CENTCOM) in the Middle East; SOCNORTH, which is devoted to “homeland defense”; and the globe-trotting Joint Special Operations Command or JSOC -- a clandestine sub-command (formerly headed by McRaven and then Votel) made up of personnel from each service branch, including SEALs, Air Force special tactics airmen, and the Army's Delta Force, that specializes in tracking and killing suspected terrorists.

And don’t think that’s the end of it, either.  As a result of McRaven’s push to create “a Global SOF network of like-minded interagency allies and partners,” Special Operations liaison officers, or SOLOs, are now embedded in 14 key U.S. embassies to assist in advising the special forces of various allied nations.  Already operating in Australia, Brazil, Canada, Colombia, El Salvador, France, Israel, Italy, Jordan, Kenya, Poland, Peru, Turkey, and the United Kingdom, the SOLO program is poised, according to Votel, to expand to 40 countries by 2019.  The command, and especially JSOC, has also forged close ties with the Central Intelligence Agency, the Federal Bureau of Investigation, and the National Security Agency, among others.

Shadow Ops

Special Operations Command’s global reach extends further still, with smaller, more agile elements operating in the shadows from bases in the United States to remote parts of Southeast Asia, from Middle Eastern outposts to austere African camps. Since 2002, SOCOM has also been authorized to create its own Joint Task Forces, a prerogative normally limited to larger combatant commands like CENTCOM.  Take, for instance, Joint Special Operations Task Force-Philippines (JSOTF-P) which, at its peak, had roughly 600 U.S. personnel supporting counterterrorist operations by Filipino allies against insurgent groups like Abu Sayyaf.  After more than a decade spent battling that group, its numbers have been diminished, but it continues to be active, while violence in the region remains virtually unaltered. 

A phase-out of the task force was actually announced in June 2014.  “JSOTF-P will deactivate and the named operation OEF-P [Operation Enduring Freedom-Philippines] will conclude in Fiscal Year 2015,” Votel told the Senate Armed Services Committee the next month.  “A smaller number of U.S. military personnel operating as part of a PACOM [U.S. Pacific Command] Augmentation Team will continue to improve the abilities of the PSF [Philippine Special Forces] to conduct their CT [counterterrorism] missions...”  Months later, however, Joint Special Operations Task Force-Philippines remained up and running. “JSOTF-P is still active although the number of personnel assigned has been reduced,” Army spokesperson Kari McEwen told reporter Joseph Trevithick of War Is Boring.

Another unit, Special Operations Joint Task Force-Bragg, remained in the shadows for years before its first official mention by the Pentagon in early 2014.  Its role, according to SOCOM’s Bockholt, is to “train and equip U.S. service members preparing for deployment to Afghanistan to support Special Operations Joint Task Force-Afghanistan.”  That latter force, in turn, spent more than a decade conducting covert or “black” ops “to prevent insurgent activities from threatening the authority and sovereignty of” the Afghan government.  This meant night raids and kill/capture missions -- often in concert with elite Afghan forces -- that led to the deaths of unknown numbers of combatants and civilians.  In response to popular outrage against the raids, Afghan President Hamid Karzai largely banned them in 2013. 

U.S. Special Operations forces were to move into a support role in 2014, letting elite Afghan troops take charge.  “We're trying to let them run the show," Colonel Patrick Roberson of the Afghanistan task force told USA Today.  But according to LaDonna Davis, a spokesperson with the task force, America’s special operators were still leading missions last year.  The force refuses to say how many missions were led by Americans or even how many operations its commandos were involved in, though Afghan special operations forces reportedly carried out as many as 150 missions each month in 2014.  “I will not be able to discuss the specific number of operations that have taken place,” Major Loren Bymer of Special Operations Joint Task Force-Afghanistan told TomDispatch. “However, Afghans currently lead 96% of special operations and we continue to train, advise, and assist our partners to ensure their success.”

And lest you think that that’s where the special forces organizational chart ends, Special Operations Joint Task Force-Afghanistan has five Special Operations Advisory Groups “focused on mentoring and advising our ASSF [Afghan Special Security Force] partners,” according to Votel.  “In order to ensure our ASSF partners continue to take the fight to our enemies, U.S. SOF must be able to continue to do some advising at the tactical level post-2014 with select units in select locations,” he told the Senate Armed Services Committee.  Indeed, last November, Karzai’s successor Ashraf Ghani quietly lifted the night raid ban, opening the door once again to missions with U.S. advisors in 2015.

There will, however, be fewer U.S. special ops troops available for tactical missions.  According to then Rear-, now Vice-Admiral Sean Pybus, SOCOM’s Deputy Commander, about half the SEAL platoons deployed in Afghanistan were, by the end of last month, to be withdrawn and redeployed to support “the pivot in Asia, or work the Mediterranean, or the Gulf of Guinea, or into the Persian Gulf.”  Still, Colonel Christopher Riga, commander of the 7th Special Forces Group, whose troops served with the Combined Joint Special Operations Task Force-Afghanistan near Kandahar last year, vowed to soldier on.  “There’s a lot of fighting that is still going on in Afghanistan that is going to continue,” he said at an awards ceremony late last year.  “We’re still going to continue to kill the enemy, until we are told to leave.”

Add to those task forces the Special Operations Command Forward (SOC FWD) elements, small teams which, according to the military, “shape and coordinate special operations forces security cooperation and engagement in support of theater special operations command, geographic combatant command, and country team goals and objectives.”  SOCOM declined to confirm the existence of SOC FWDs, even though there has been ample official evidence on the subject and so it would not provide a count of how many teams are currently deployed across the world.  But those that are known are clustered in favored black ops stomping grounds, including SOC FWD Pakistan, SOC FWD Yemen, and SOC FWD Lebanon, as well as SOC FWD East Africa, SOC FWD Central Africa, and SOC FWD West Africa.

Africa has, in fact, become a prime locale for shadowy covert missions by America’s special operators.  "This particular unit has done impressive things. Whether it's across Europe or Africa taking on a variety of contingencies, you are all contributing in a very significant way," SOCOM’s commander, General Votel, told members of the 352nd Special Operations Group at their base in England last fall.

killanythingpbk.jpgThe Air Commandos are hardly alone in their exploits on that continent.  Over the last years, for example, SEALs carried out a successful hostage rescue mission in Somalia and a kidnap raid there that went awry.  In Libya, Delta Force commandos successfully captured an al-Qaeda militant in an early morning raid, while SEALs commandeered an oil tanker with cargo from Libya that the weak U.S.-backed government there considered stolen.  Additionally, SEALs conducted a failed evacuation mission in South Sudan in which its members were wounded when the aircraft in which they were flying was hit by small arms fire.  Meanwhile, an elite quick-response force known as Naval Special Warfare Unit 10 (NSWU-10) has been engaged with “strategic countries” such as Uganda, Somalia, and Nigeria. 

A clandestine Special Ops training effort in Libya imploded when militia or “terrorist” forces twice raided its camp, guarded by the Libyan military, and looted large quantities of high-tech American equipment, hundreds of weapons -- including Glock pistols, and M4 rifles -- as well as night vision devices and specialized lasers that can only be seen with such equipment.  As a result, the mission was scuttled and the camp was abandoned.  It was then reportedly taken over by a militia. 

In February of last year, elite troops traveled to Niger for three weeks of military drills as part of Flintlock 2014, an annual Special Ops counterterrorism exercise that brought together the forces of the host nation, Canada, Chad, France, Mauritania, the Netherlands, Nigeria, Senegal, the United Kingdom, and Burkina Faso.  Several months later, an officer from Burkina Faso, who received counterterrorism training in the U.S. under the auspices of SOCOM’s Joint Special Operations University in 2012, seized power in a coup.  Special Ops forces, however, remained undaunted.  Late last year, for example, under the auspices of SOC FWD West Africa, members of 5th Battalion, 19th Special Forces Group, partnered with elite Moroccan troops for training at a base outside of Marrakech. 

A World of Opportunities

Deployments to African nations have, however, been just a part of the rapid growth of the Special Operations Command’s overseas reach.  In the waning days of the Bush presidency, under then-SOCOM chief Admiral Eric Olson, Special Operations forces were reportedly deployed in about 60 countries around the world.  By 2010, that number had swelled to 75, according to Karen DeYoung and Greg Jaffe of the Washington Post.  In 2011, SOCOM spokesman Colonel Tim Nye told TomDispatch that the total would reach 120 by the end of the year.  With Admiral William McRaven in charge in 2013, then-Major Robert Bockholt told TomDispatch that the number had jumped to 134.  Under the command of McRaven and Votel in 2014, according to Bockholt, the total slipped ever-so-slightly to 133.  Outgoing Defense Secretary Chuck Hagel noted, however, that under McRaven’s command -- which lasted from August 2011 to August 2014 -- special ops forces deployed to more than 150 different countries.  “In fact, SOCOM and the entire U.S. military are more engaged internationally than ever before -- in more places and with a wider variety of missions,” he said in an August 2014 speech.

He wasn’t kidding.  Just over two months into fiscal 2015, the number of countries with Special Ops deployments has already clocked in at 105, according to Bockholt.

SOCOM refused to comment on the nature of its missions or the benefits of operating in so many nations.  The command would not even name a single country where U.S. special operations forces deployed in the last three years.  A glance at just some of the operations, exercises, and activities that have come to light, however, paints a picture of a globetrotting command in constant churn with alliances in every corner of the planet. 

In January and February, for example, members of the 7th Special Forces Group and the 160th Special Operations Aviation Regiment conducted a month-long Joint Combined Exchange Training (JCET) with forces from Trinidad and Tobago, while troops from the 353rd Special Operations Group joined members of the Royal Thai Air Force for Exercise Teak Torch in Udon Thani, Thailand.  In February and March, Green Berets from the 20th Special Forces Group trained with elite troops in the Dominican Republic as part of a JCET.

In March, members of Marine Special Operations Command and Naval Special Warfare Unit 1 took part in maneuvers aboard the guided-missile cruiser USS Cowpens as part of Multi-Sail 2014, an annual exercise designed to support “security and stability in the Indo-Asia-Pacific region.”  That same month, elite soldiers, sailors, airmen, and marines took part in a training exercise code-named Fused Response with members of the Belizean military.  “Exercises like this build rapport and bonds between U.S. forces and Belize,” said Air Force Lieutenant Colonel Heber Toro of Special Operations Command South afterward.

In April, soldiers from the 7th Special Forces Group joined with Honduran airborne troops for jump training -- parachuting over that country’s Soto Cano Air Base.  Soldiers from that same unit, serving with the Afghanistan task force, also carried out shadowy ops in the southern part of that country in the spring of 2014.  In June, members of the 19th Special Forces Group carried out a JCET in Albania, while operators from Delta Force took part in the mission that secured the release of Army Sergeant Bowe Bergdahl in Afghanistan.  That same month, Delta Force commandos helped kidnap Ahmed Abu Khattala, a suspected “ringleader” in the 2012 terrorist attacks in Benghazi, Libya, that killed four Americans, while Green Berets deployed to Iraq as advisors in the fight against the Islamic State.

In June and July, 26 members of the 522nd Special Operations Squadron carried out a 28,000-mile, four-week, five-continent mission which took them to Sri Lanka, Tanzania, and Japan, among other nations, to escort three “single-engine [Air Force Special Operations Command] aircraft to a destination in the Pacific Area of Responsibility.”  In July, U.S. Special Operations forces traveled to Tolemaida, Colombia, to compete against elite troops from 16 other nations -- in events like sniper stalking, shooting, and an obstacle course race -- at the annual Fuerzas Comando competition.

In August, soldiers from the 20th Special Forces Group conducted a JCET with elite units from Suriname.  “We’ve made a lot of progress together in a month. If we ever have to operate together in the future, we know we’ve made partners and friends we can depend upon,” said a senior noncommissioned officer from that unit.  In Iraq that month, Green Berets conducted a reconnaissance mission on Mount Sinjar as part an effort to protect ethnic Yazidis from Islamic State militants, while Delta Force commandos raided an oil refinery in northern Syria in a bid to save American journalist James Foley and other hostages held by the same group.  That mission was a bust and Foley was brutally executed shortly thereafter.

In September, about 1,200 U.S. special operators and support personnel joined with elite troops from the Netherlands, the Czech Republic, Finland, Great Britain, Lithuania, Norway, Poland, Sweden, and Slovenia for Jackal Stone, a training exercise that focused on everything from close quarters combat and sniper tactics to small boat operations and hostage rescue missions.  In September and October, Rangers from the 3rd Battalion, 75th Ranger Regiment deployed to South Korea to practice small unit tactics like clearing trenches and knocking out bunkers.  During October, Air Force air commandos also conducted simulated hostage rescue missions at the Stanford Training Area near Thetford, England.  Meanwhile, in international waters south of Cyprus, Navy SEALs commandeered that tanker full of oil loaded at a rebel-held port in Libya.  In November, U.S. commandos conducted a raid in Yemen that freed eight foreign hostages.  The next month, SEALs carried out the blood-soaked mission that left two hostages, including Luke Somers, and eight civilians dead.  And these, of course, are only some of the missions that managed to make it into the news or in some other way onto the record.

Everywhere They Want to Be

To America’s black ops chiefs, the globe is as unstable as it is interconnected.  “I guarantee you what happens in Latin America affects what happens in West Africa, which affects what happens in Southern Europe, which affects what happens in Southwest Asia,” McRaven told last year’s Geolnt, an annual gathering of surveillance-industry executives and military personnel.  Their solution to interlocked instability?  More missions in more nations -- in more than three-quarters of the world’s countries, in fact -- during McRaven’s tenure.  And the stage appears set for yet more of the same in the years ahead.  "We want to be everywhere,” said Votel at Geolnt.  His forces are already well on their way in 2015.

“Our nation has very high expectations of SOF,” he told special operators in England last fall. “They look to us to do the very hard missions in very difficult conditions.”  The nature and whereabouts of most of those “hard missions,” however, remain unknown to Americans.  And Votel apparently isn’t interested in shedding light on them.  “Sorry, but no,” was SOCOM’s response to TomDispatch’s request for an interview with the special ops chief about current and future operations.  In fact, the command refused to make any personnel available for a discussion of what it’s doing in America’s name and with taxpayer dollars.  It’s not hard to guess why.

Votel now sits atop one of the major success stories of a post-9/11 military that has been mired in winless wars, intervention blowback, rampant criminal activity, repeated leaks of embarrassing secrets, and all manner of shocking scandals.  Through a deft combination of bravado and secrecy, well-placed leaks, adroit marketing and public relations efforts, the skillful cultivation of a superman mystique (with a dollop of tortured fragility on the side), and one extremely popular, high-profile, targeted killing, Special Operations forces have become the darlings of American popular culture, while the command has been a consistent winner in Washington’s bare-knuckled budget battles

This is particularly striking given what’s actually occurred in the field: in Africa, the arming and outfitting of militants and the training of a coup leader; in Iraq, America’s most elite forces were implicated in torture, the destruction of homes, and the killing and wounding of innocents;  in Afghanistan, it was a similar story, with repeated reports of civilian deaths; while in Yemen, Pakistan, and Somalia it’s been more of the same.  And this only scratches the surface of special ops miscues.  

In 2001, before U.S. black ops forces began their massive, multi-front clandestine war against terrorism, there were 33,000 members of Special Operations Command and about 1,800 members of the elite of the elite, the Joint Special Operations Command.  There were then also 23 terrorist groups -- from Hamas to the Real Irish Republican Army -- as recognized by the State Department, including al-Qaeda, whose membership was estimated at anywhere from 200 to 1,000.  That group was primarily based in Afghanistan and Pakistan, although small cells had operated in numerous countries including Germany and the United States

After more than a decade of secret wars, massive surveillance, untold numbers of night raids, detentions, and assassinations, not to mention billions upon billions of dollars spent, the results speak for themselves.  SOCOM has more than doubled in size and the secretive JSOC may be almost as large as SOCOM was in 2001.  Since September of that year, 36 new terror groups have sprung up, including multiple al-Qaeda franchises, offshoots, and allies.  Today, these groups still operate in Afghanistan and Pakistan -- there are now 11 recognized al-Qaeda affiliates in the latter nation, five in the former -- as well as in Mali and Tunisia, Libya and Morocco, Nigeria and Somalia, Lebanon and Yemen, among other countries.  One offshoot was born of the American invasion of Iraq, was nurtured in a U.S. prison camp, and, now known as the Islamic State, controls a wide swath of that country and neighboring Syria, a proto-caliphate in the heart of the Middle East that was only the stuff of jihadi dreams back in 2001.  That group, alone, has an estimated strength of around 30,000 and managed to take over a huge swath of territory, including Iraq’s second largest city, despite being relentlessly targeted in its infancy by JSOC.

“We need to continue to synchronize the deployment of SOF throughout the globe,” says Votel.  “We all need to be synched up, coordinated, and prepared throughout the command.”  Left out of sync are the American people who have consistently been kept in the dark about what America’s special operators are doing and where they’re doing it, not to mention the checkered results of, and blowback from, what they’ve done.  But if history is any guide, the black ops blackout will help ensure that this continues to be a “golden age” for U.S. Special Operations Command.

Nick Turse is the managing editor of TomDispatch.com and a fellow at the Nation Institute.  A 2014 Izzy Award winner, he has reported from the Middle East, Southeast Asia, and Africa and his pieces have appeared in the New York Times, the Los Angeles Times, the Nation, and regularly at TomDispatch. His New York Times bestseller Kill Anything That Moves: The Real American War in Vietnam received a 2014 American Book Award.

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#3 macaense

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Posted 26 January 2015 - 12:01 AM

“We need to continue to synchronize the deployment of SOF throughout the globe,” says Votel.  “We all need to be synched up, coordinated, and prepared throughout the command.”  Left out of sync are the American people who have consistently been kept in the dark about what America’s special operators are doing and where they’re doing it, not to mention the checkered results of, and blowback from, what they’ve done.  But if history is any guide, the black ops blackout will help ensure that this continues to be a “golden age” for U.S. Special Operations Command.

 

 

Nick Turse is the managing editor of TomDispatch.com and a fellow at the Nation Institute.  A 2014 Izzy Award winner, he has reported from the Middle East, Southeast Asia, and Africa and his pieces have appeared in the New York Times, the Los Angeles Times, the Nation, and regularly at TomDispatch. His New York Times bestseller Kill Anything That Moves: The Real American War in Vietnam received a 2014 American Book Award.


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#4 macaense

macaense

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Posted 26 January 2015 - 12:07 AM

Four recent geopolitical reports, posted by Global Research:

 

 

 

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“The threat is serious, the time short. The Bulletin of the Atomic Scientists does not move the hands of the Doomsday Clock for light or transient reasons. The clock ticks now at just three minutes to midnight because international leaders are failing to perform their most important duty—ensuring and preserving the health and vitality of human civilization.”

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Small teams of Ukrainian army/terrorists have been perpetrating random drive by shootings with automatics in Donetsk since the Ukrainian army reignited the hot war eleven days ago.

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America’s hegemonic project in the post 9/11 era is the “Globalization of War” whereby the U.S.-NATO military machine –coupled with covert intelligence operations, economic sanctions and the thrust of “regime change”— is deployed in all major regions of the world.

“Je Suis CIA” By Larry Chin, January 17, 2015
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Since 9/11, the imperial playbook has consisted of time-tested tactic: the false flag operation. Carry out or facilitate a spectacular atrocity. Blame it on the enemy of choice. Issue a lie-infested official narrative, and have the corporate media repeat the lie. Rile up militant crowds, stoke the hatred, wage war with the public stamp of approval.


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